Crônica: Meu, Seu Silêncio

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Eu descobri que gostava de você profundamente naquele dia que saímos para conversar. Talvez você nem se lembre, mas eu tenho em mim cada gesto, de vez em quando dava uma enrabichada de olho pro seu lado, só para sentir você ali.

Nós caminhamos por uma calçada ladrilhada em mosaicos azulejados,  grafitada em lindos desenhos esmeralda, mas ela era cheia de imperfeições que exigiam de nós o máximo alerta, qualquer descuido e seria queda certa. Daquelas em que as pessoas se dobram de rir.

Eu que não haveria de ser a pateta motivo de zombaria e palhacices,  então segurei meu parlapatório.

Segui comedida.

Foi uma caminhada comprida, se soubesse medir em léguas seriam muitas, intermináveis. E não trocamos uma única palavra. Até que chegamos no fim desse infinito e já era hora de despedir.

Nos demos um beijo e fomos. Foi aí na comunhão do meu do seu silêncio que me afeiçoei a você.

Redação

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