Ensaio sobre a mudança

Eu entendo as pessoas que não querem fazer transformações drásticas na vida. Juro que entendo. É um saco recomeçar tudo, ter que se adaptar a outra realidade e se encontrar em um novo lugar. Mudar de cidade (ou país) é um saco ainda maior. Você tem que ter paciência para aprender a fazer suas coisas de um outro jeito, conhecer os caminhos da cidade, criar uma nova rede de contatos. Fora que você não tem certeza se sua tentativa vai dar certo. Nada é certo em mudanças e nenhum começo é fácil. Começos foram feitas para serem complicados.

 

No primeiro texto que mandei aqui pro Plano, eu falava justamente sobre mudanças e como você deve meter as caras e ir atrás do que você quer mesmo. E não mudei de ideia, só venho aqui para conversar com você e dizer que eu entendendo que toda decisão tem dois lados.

 

No momento eu estou passando por uma mudança bem grande, que bagunçou tudo que eu tinha construído nos últimos anos. Há três meses eu me mudei com meu namorado (e meus gatos) para Dublin/Irlanda para estudar inglês (então já dá pra imaginar que não foi fácil conseguir acomodação), só achei um trabalho depois de dois meses e meio procurando, estou morrendo de saudade dos meus amigos e odiando a comida.

 

Mas aí eu paro e penso em todas as grandes mudanças que eu fiz na minha vida e vejo que todas foram complicadas assim no começo. Sempre levou um tempo para me estabelecer, para criar minhas novas raízes e me sentir confortável. E tudo isso que passei, todos os percalços nas mudanças, me fizeram aprender muito sobre a vida e sobre mim mesma.

 

Tudo que eu sou hoje eu devo a essas mudanças, às pessoas que eu conheci, aos lugares diferentes que eu visitei e tudo mais que eu me permitir viver, mesmo com as complicações. Tudo isso fez com que eu me tornasse uma pessoa bem melhor do que a outra que tinha chegado.

 

 

 

Também penso que, se eu não tivesse tido a coragem de mudar completamente na primeira vez, eu poderia estar com a vida completamente diferente, morando na minha cidade de origem, no interior da Bahia, possivelmente fazendo a mesma coisa de sempre no mesmo horário de sempre. Não sei se ainda estaria trabalhando com publicidade, mesmo insatisfeita com o mercado; não sei estaria trabalhando como garçonete, como da vez que eu desisti da vida de agência e fui ganhar três vezes mais servindo mesas e clientes.

 

A verdade é que é impossível prever as coisas que vão acontecer com você e o que teria acontecido caso você não tivesse tomado aquela decisão. A única certeza que existe é que só vem coisa boa depois que você encara suas decisões com coragem. 

 

Voltando ao que disse no começo do texto, eu entendo de verdade você que não queira fazer grandes mudanças, entendo que você queira estar envolto em uma área de segurança e que você tenha medo do que pode ser e do que pode não ser.

 

Ainda assim, eu recomendo que você tente ao menos começar a pensar nas mudanças importantes que você pode fazer mesmo no meio desse ambiente de segurança: pode ser o Feng Shui da sala que você não aguenta mais; pode ser aquela renovada no guarda-roupa e mudança de estilo que você planeja há tempos; pode ser o trabalho que você está e já não se sente muito feliz.

 

Você não precisa começar metendo pé na porta como eu, mas deveria começar de alguma forma a implantar pequenas mudanças aos poucos na sua vida. O perigo nisso tudo, é que mudar é igual fazer tatuagem, pode até doer, mas é uma dor que te faz sentir vivo e que no fim das contas traz um resultado melhor do que o que você pode esperar.

 

“Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a intensidade.”

Edson Marques

Brisa Dalila

Publicitária que mexe com essas coisas de social media e não para quieta com uma cor de cabelo só. Nômade digital, agora conta suas aventuras direto de Dublin, Irlanda.