Jovem pra ser velha ou velha pra ser jovem?

Constantemente eu me sinto naquela música mais recente da Sandy “Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem.”. Após uma certa idade, a sociedade e as pessoas esperam que nós sejamos maduras ao mesmo tempo que não percamos nosso espírito de criança. E ô coisa complicada de seguir.

 

São obrigações que colocam sobre nossas cabeças que vão desde casamento e filhos até como vamos conduzir nossa carreira ou tempo livre. No meu caso (e no caso de algumas pessoas que conheci aqui na Irlanda), escolher fazer um intercâmbio depois dos 30 foi uma ideia um pouco estranha.

 

“Mas intercâmbio não é coisa de adolescente em idade escolar?” “Você vai abandonar sua carreira pra sair do país?” “E a família e amigos?”. Todos estão muito bem, obrigada. E eu estou bem seguindo minhas próprias escolhas.

 

Eu acho esse tipo de coisa engraçada, porque idade nunca foi algo que me preocupou. Não porque as pessoas olham para minha cara e dizem que eu pareço ter 20 e poucos anos – até porque eu me sinto bem com a idade que tenho – mas porque idade não diz nada. Os anos de vivência em geral trazem experiências bem relevantes e uma consciência muito maior de si mesmo.

 

Se me perguntassem “Brisa, se você pudesse escolher uma coisa para mudar no seu passado, o que seria?”, eu responderia que ter a cabeça que tenho hoje quando era mais jovem seria, no mínimo, interessante. Eu já consigo imaginar o tanto de dor de cabeça eu teria evitado na minha juventude se eu tivesse um pouquinho mais de noção de como o mundo e a cabeça das pessoas funcionavam.

 

O melhor de ter a idade que tenho agora, foi ter conseguido atingir essa sensação de “nirvana” que vem quando você tem a consciência de quem você é, se sente confortável com isso e conquista a liberdade de não se importar com várias das opiniões e barreiras que antes te impediam de aproveitar vários momentos da vida.

 

Então, com 32 anos você pode fazer intercâmbio sim, pode decidir mudar de carreira, começar outra faculdade, pode não querer casar, não querer ter filhos e também pode querer fazer tudo ao contrário disso. Ninguém deve dizer como você deve viver sua vida e que idade é correta para cada ação.

 

 

Tá liberado ser quem você quiser ser com a idade que você tiver, gostar disso e ter controle sobre suas próprias decisões. Seja não querer depilar as pernas naquele dia porque você tá com preguiça e não liga se alguém vai reparar e falar alguma coisa; seja pintar o cabelo com 5 cores porque te deu na telha mudar radicalmente; seja assumir que sua alma é um pouco mais velha do que seu corpo e passar o fim de semana inteiro deitada vendo filme no Netflix.

 

Assuma suas porras™ e não deixe ninguém dizer que você não tem idade pra isso (ou que tem idade demais). O importante é deitar a cabeça no travesseiro e conseguir ficar em paz com seus próprios pensamentos, sem reconsiderações ou arrependimentos por ser quem você é e fazer o que você quer.

Brisa Dalila

Publicitária que mexe com essas coisas de social media e não para quieta com uma cor de cabelo só. Nômade digital, agora conta suas aventuras direto de Dublin, Irlanda.