Mais liderança feminina e educação ajudariam a mudar o Mundo

“A dinâmica no mundo seria certamente diferente com uma maior intervenção das mulheres no poder”. Quem fez essa afirmação  foi Leymah Gbowee, liberiana, ativista dos direitos humanos e laureada com o Nobel da Paz em 2011.

Essa frase foi parte de seu discurso no evento “Challengers Conferences for Young Leaders“, em Bracelona.

Para Leymah Gbowee, natural da Monrovia, as “mulheres, pela sua própria condição estão mais conscientes das necessidades dos outros e, consequentemente, mais aptas a ajudar nos problemas de liderança, que quase sempre são a origem da maioria das tragédias que ocorrem no mundo”.

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Conduzindo o tema “Liderança das Mulheres no Séc. XXI”, a conferência contou ainda com a participação da iemenita Tawakkol Karman, também ativista e defensora dos direitos humanos, que partilhou em 2011 o Nobel da Paz com Gbowee e Ellen Sirleaf, hoje presidente da Libéria.

Gbowee, que tinha apenas 17 anos quando assistiu ao início da primeira guerra civil liberiana, em 1989, foi reconhecida pelo seu papel na defesa da paz e igualdade no seu país. Trabalhou com o assistente social e conselheira em situações de crianças traumatizadas pelo conflito armado e mobilizou uma legião de mulheres na tentativa de acabar com a guerra.

Atualmente, está à frente da “Gbowee Peace Foundation Africa“, na Libéria, que procura oferecer condições de educação e empreendedorismo para jovens mulheres. “Não podemos descansar enquanto homens e mulheres não forem considerados iguais e livres”, salientou.

Já a iemenita Tawakkol Karman, 36 anos, que nasceu em Taiz, a terceira maior cidade do Iémen, considera que “o mundo tem de mudar e só com educação o vamos conseguir fazer. Educação, educação e mais educação”, repetiu com veemência.

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“A geração mais velha construiu um castelo no continente em torno das nossas liberdades e direitos, mas mulheres e homens são complementares e só unidos conseguiremos alcançar uma sociedade democrática e livre“, acrescentou.

A ativista iemenita, que como jornalista testemunhou em 1990 a unificação do Iémen do Sul e do Norte, a guerra civil entre os dois lados em 1994 e os esforços de paz que se seguiram, foi reconhecida pelo seu papel na denúncia dos abusos aos direitos humanos e instabilidade política no país.

Em 2005, criou a organização “Women Journalist Without Chains“, uma organização de luta pelos direitos de expressão, liberdade e das mulheres, a qual ainda dirige apesar de não poder entrar mais no Iémen.

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Ana Victorazzi

Jornalista

Apaixonada por café, cor laranja e animais. Formada em jornalismo e mãe de dois gatos, acredita na bondade das pessoas.