Mulheres representam apenas 6,4% da diretoria das 100 maiores empresas na América Latina

Quase a metade (47) das 100 maiores empresas da América Latina não tem uma única mulher em seu conselho de administração, de acordo com a Corporate Women Directors International (CWDI), um grupo de pesquisa com sede em Washington, que divulgou na semana passada, no Global Summit of Women, em São Paulo, seu estudo sobre mulheres diretoras nas maiores empresas da região.

Ao todo, as mulheres representam apenas 6,4% da diretoria das 100 maiores empresas da região, colocando a América Latina bem atrás da América do Norte (19,2%), Europa (20%) e região Ásia – Pacífico (9,4%).

“Embora exista um esforço global – em grande parte impulsionado pela Europa – para aumentar a presença de mulheres nas diretorias, as empresas latino-americanas estão sendo deixadas para trás no quesito de promoção de mulheres a cargos de liderança“, afirma Irene Natividad, Presidente CWDI.

Entre os países latino-americanos, a Colômbia está na liderança, com 13,4% dos assentos no conselho das suas maiores empresas ocupados por mulheres, mais que o dobro da média da região. No Brasil, cujas empresas compõem quase metade das maiores empresas na lista, a média é de 6,3%. 

A empresa de melhor desempenho entre as 100 maiores da América Latina está na Colômbia – Grupo Argos, com 28,6 % de mulheres dirigentes (2 para 7). O Brasil aparece em terceiro lugar com o Banco Santander (Brasil), com 22% de mulheres em suas diretorias.

Nenhuma das grandes empresas que participaram da pesquisa possui três ou mais mulheres diretoras.

“Embora os números sejam baixos”, afirma Natividad, “existem medidas práticas que os países podem tomar para aumentar a presença das mulheres na sala de reuniões. No Brasil, o projeto de lei de cotas ainda não aprovado, que exige que um mínimo de 40% dos diretores das empresas estatais sejam mulheres, é uma esperança para o futuro.”

Caso este projeto de lei seja aprovado, o Brasil será a primeira economia da América Latina a adotar um mandato legislativo para mulheres nos conselhos. “Apesar de ser pessoalmente contra cotas, eu aprendi com o tempo que é uma medida necessária”, afirma Regina Nunes, Presidente do Standard & Poor’s Brasil.

O estudo cita várias pesquisas em praticamente todas as regiões do mundo, que mostra que o aumento da presença das mulheres em cargos de liderança corporativos está correlacionado com as empresas de maior rentabilidade e sucesso financeiro.

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Ana Victorazzi

Jornalista

Apaixonada por café, cor laranja e animais. Formada em jornalismo e mãe de dois gatos, acredita na bondade das pessoas.