Perfil de investidor na bolsa começa a mudar e presença feminina cresce

Tida como um ambiente majoritariamente masculino, a Bolsa brasileira já demonstra indicações de que o perfil de seu investidor está mudando. Isso é reflexo direto do aumento na quantidade de pessoas interessadas em saber como investir na bolsa de valores, que tem crescido consideravelmente nos últimos ano.

Segundo dados divulgados pela BM&F Bovespa, desde 2002 até 2016, o número de pessoas físicas registradas saltou de 85 mil para quase 555 mil. Esses números representam um crescimento de mais de seis vezes nos últimos 14 anos. As pessoas jurídicas, por sua vez, somam pouco mais de 23 mil, correspondendo a apenas 4% do total de investidores.

Apenas na última década foram mais de 336 mil novos registros feitos. Apesar de serem donos de apenas 17% das contas abertas, os investidores acima dos 65 anos possuem 43% do dinheiro investido na bolsa brasileira. Os adultos da faixa etária de 56 a 65 anos ficam em segundo lugar, com 22% dos investimentos. Por outro lado, as pessoas estão investindo cada mais jovens, já que 66% dos registros existentes são de indivíduos com idades entre 26 e 55 anos.

Em geral, os homens investem mais. São mais de R$ 91 bilhões investidos por eles em agosto, enquanto as mulheres aplicaram cerca de um terço disso no período, algo em torno de R$ 29,8 bilhões. Esses números refletem a maioria masculina que ainda é forte na bolsa. Os homens representam cerca de 77% dos investidores atuais.

As mulheres ainda são minoria entre os investidores, mas têm conquistado cada vez mais espaço neste mercado. Em 2002, elas eram cerca de 15 mil e hoje em dia já são mais 129 mil, um aumento de quase nove vezes. A presença feminina cresceu bastante nos últimos anos e especialmente entre 2006 e 2007 apresentou um salto significativo, passando de quase 48 mil para mais de 112 mil mulheres registradas na bolsa de um ano para o outro.

A região Sudeste do Brasil compreende a maior parte dos investidores, o percentual chega a 77%. O estado de São Paulo é o primeiro neste quesito, com quase 50% do total de inscritos. Depois vem o Rio de Janeiro com 21,3% e, em terceiro lugar, os mineiros com aproximadamente 7%.

A participação dos investidores estrangeiros também cresceu nos últimos anos. O volume de dinheiro negociado por pessoas de fora do país cresceu 52 vezes em duas décadas. Nesses vinte anos, os investidores do exterior que antes eram responsáveis por 26% dos negócios da Bovespa, hoje movimentam mais da metade.

Essa evolução no perfil e no número de participantes da bolsa de valores brasileira tem fundamento. Entre os pontos positivos que faz da Bovespa uma ótima opção de investimentos estão boa liquidez, facilidade de acesso, possibilidade de alavancagem e opções para diversificação de carteira.

No entanto, a rentabilidade é provavelmente o fator que mais influenciou essa mudança em 2016. Isso porque, apesar do panorama econômico e político desfavorável, a bolsa no Brasil teve resultados excelentes na primeira metade de 2016. Em julho, por exemplo, a modalidade teve alta de 10%.

A rentabilidade da bolsa nos primeiros seis meses do ano demonstrou desempenho ainda melhor. Com mais de 20% de rendimento nominal entre janeiro e junho, a Bolsa de Valores foi o investimento com maior retorno no país.

Com isso, outros indicadores também apresentaram melhoras. É o caso do volume total movimentado que, nos meses em questão, superou a marca dos R$ 930 trilhões. Para se ter uma ideia do crescimento, há dez anos o montante não chegava a R$ 600 trilhões anuais.

Redação

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