Por que você quer ser uma empreendedora?

Quero trabalhar menos. Quero ter mais tempo para minha família. Quero poder trabalhar mais de casa. Quero ter filhos. Quero estar mais ao lado dos meus filhos. Quero viajar mais. Quero ter meu próprio escritório.

PARE! Simplesmente, PARE! Se estas são suas motivações para abrir seu próprio negócio, alguém precisa te contar que não, a vida não será mais fácil só porque você terá seu próprio CNPJ. É sério! Empreender tá na moda, é cool, eu sei. Mas preciso te contar, vem cá: empreender é tomar na cara todos os dias. TODOS. É acordar pensando nos contratos que precisam ser fechados, nos clientes que estão esperando as entregas maiores do que o negociado, pensar na equipe que precisa de salário em dia, no oportunismo das concorrências que amam fazer “benchmark” para copiar seu modelo de negócio e cobrar menos por isso, pensar em como sobreviverá com seus planos tendo de pagar impostos e mais impostos pro governo e uma caralhada mais de pensamentos que você talvez nunca tenha tido antes, com sua carteira assinada.

Empreender é isso e um pouco mais. É insano e apaixonante para quem está disposto a correr riscos, o tempo todo. Não, empreender não é brincar de casinha, decorar espaços de seu QG, tirar selfies de oba-oba com a equipe o tempo todo. Alias, você terá menos tempo para ostentar nas suas páginas de Facebook, Twitter, Periscope, e seja lá o que mais. A menos que você tenha um alto capital de giro (o que pesquisas já comprovaram que não, empreendedoras de pequeno e médio porte não dispõem de alto capital), ou seja bancada por um ser alado, esqueça!

Empreender – principalmente no início de seu negócio – exigirá de você muito mais do que você pensa e vê em sua timeline. Você precisará trabalhar e trabalhar muito. Pesado. Pra fazer virar o seu Plano você terá de estar preparada para circular entre o glamour e o caos, do contrário, enlouquecerá.

A maioria das mulheres que encontro em ações de mentoria que faço, quer empreender, mas não tem a mínima noção de como funciona os bastidores da vida de um empreendedor, ou melhor, elas estão TÃO apaixonadas pelas publicações vencedoras que todo empreendedor faz em suas redes sociais, que querem estar ali também. Querem ser vencedoras. Querem ter seu próprio negócio. Afinal, quem não quer vencer na vida? É contagiante, é inspirador ver historias vencedoras. Dá mesmo vontade de jogar tudo pro alto e ir à luta. MAS CALMA!

Ninguém conta as derrotas e perrengues! Te contar a verdade vai te fazer abrir os olhos e desconstruir alguns mitos que você possa vir por aí. Prepare-se: Quando a gente posta uma festa por mais um cliente que fechou contrato, não vai na foto os meses de negociação, a grana investida pra deslocamentos de reuniões prévias, de criação de pré-projetos, de ansiedade, de esgotamento físico e emocional. Vai só um sorrisão, uma taça de vinho e nossa expressão de alívio por ter sobrevivido.

Quando a gente posta uma foto numa outra cidade, faz check-in em restaurantes legais em reuniões com clientes, não mostra a conta e nossa tensão pra que todo aquele esforço se converta em negócio e não ferre nosso capital de giro. Quando estamos em eventos bacanudos com pessoas legais, não falamos que em nenhum momento podemos nos desligar, porque toda hora é hora de um bom contato, uma boa indicação.

A gente vira uma espécie de caça-negócios. Isso é fascinante pra quem curte, do contrário, você se desgastará e muito. Essas são algumas das coisas que você precisa saber antes de entrar no jogo do empreendedorismo. É suado. É intenso. É duro. Então, jogue fora todo o romance e entre no jogo pra ralar. Do contrário, você vai virar estatística do Sebrae: mais uma, com menos de dois anos de empresa, que abandonou o barco e voltou pro mercado.

Corra atrás de seus Planos, mas tenha consciência de onde está entrando e sobretudo, lembre-se: menos ostentação e mais pé no chão. Isso te fará ir além.

Quer trocar ideias sobre empreendedorismo e negócios? Mande um e-mail pra mim: vividuarte@planofeminino.com.br

Viviane Duarte

Fundadora

Jornalista e Fundadora do Plano Feminino. Sua paixão está em criar estratégias que inspirem e gerem conexões com propósito por meio de conteúdos e projetos especiais que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino na publicidade e sobretudo, na sociedade.