Sobre anorexia, beleza e padrões

Eu adoro olhar para o passado e ver como o comportamento da sociedade muda. Geração a geração.  Nestes anúncios dos anos 40,da marca  Vikelp, a ditadura da magreza estava em baixa e as mulheres se sentiam valorizadas ganhando quilinhos a mais. Já pensou que loucura? Uma marca nos em uma época onde as revistas vendem dietas mirabolantes, vender quilos a mais e ser ovacionada pelo público feminino?  Eu fico pensando em como as magricelas sofriam e eram reprimidas por não serem fartas de carnes e isso mostra o quanto somos influenciadas e damos valor ao que o outro pensa e aprova.  Que coisa, mais chata, né? Perceber que mesmo depois de décadas, muitas mulheres continuam com essa pequenez de espírito, seguindo padrões e cheias de neuras para atingirem um corpo/imagem que agrade.

Para mim, isso tem a ver com autoestima e amor próprio. Quando a gente se curte como é , contagia e encanta o outro, sem precisar tomar remédios para engordar ou para secar alguns quilinhos.  E isso é libertador.  Ser quem você é e se orgulhar disso, sem reprimir ninguém, muito menos você mesma é vida. Na adolescência sofri de anorexia – uma fase bastante pesada para mim – e mesmo vestindo manequim 34, sentia que precisava emagrecer mais. Foi uma fase terrível e aprendi muito a gostar de mim, do meu corpo 38/40, para me libertar deste transtorno, que não chegou a um estágio mais grave porque meus pais e médicos da família me ajudaram a despertar para o que estava acontecendo. As vezes a gente cai em piras desnecessárias e a maioria delas é por conta de que querermos agradar os outros. Eu, mais do que ninguém, sei o quanto é difícil quando se tem um transtorno como a anorexia, por exemplo, mas de verdade, sair disso não depende de médicos, nem remédios, depende de nós mesmas. Sempre é hora de despertar, para de olhar as capas surreais de revistas – que mudam padrões de beleza a seu bel prazer – e olhar para dentro da gente, se amar e ser feliz.  🙂

 

 

Viviane Duarte

Fundadora

Jornalista e Fundadora do Plano Feminino. Sua paixão está em criar estratégias que inspirem e gerem conexões com propósito por meio de conteúdos e projetos especiais que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino na publicidade e sobretudo, na sociedade.