O mito do inglês em X meses

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Eu tenho uma missão de vida, que não me foi passada por nenhum espírito que me visitou no Natal, nem decidida depois de passar por um período difícil – tal qual Scarlett O’Hara dizendo que nunca mais passará fome. É uma missão que eu escolhi pra mim, e que eu vou cumprindo conforme dá. Não sou nenhuma cavaleira da Távola Redonda, não jogo War quase nunca, mas a minha missão é – rufem os tambores – derrubar alguns mitos que existem por aí com relação ao aprendizado de inglês (e conquistar 23 territórios à minha escolha, por que não?).

A Vivi me pediu que eu escrevesse um texto com 10 dicas para aprender inglês. E eu disse a ela que farei isso – aliás, é bem isso que quero fazer aqui! – mas eu quero, antes de tudo, dar prosseguimento a essa missão pessoal – e vocês serão minhas “vítimas”. Por quê? Porque é muito difícil, como profissional, ver certas crenças se espalharem por aí, e essas crenças se tornarem anúncios, que por sua vez acabam enganando as pessoas que procuram por um.

A primeira coisa que quero tratar aqui é: aprender inglês em pouco tempo é possível?

Olha, tudo é possível nessa vida, somos regidos pelo improvável. Mas falando em termos práticos, eu digo: não, não é possível. “Mas Camila, eu li um artigo de um cara que aprende línguas em 4 meses”. Sim, mas esse cara é um diplomata, que a cada nova missão dedica de 4 meses a um ano para estudar, exclusivamente. Ele passa meses APENAS estudando. Horas e “Mas Camila, a irmã do cunhado do primo do meu vizinho aprendeu com um método revolucionário e conseguiu”. Bom, são muitas variáveis aí. E a maior delas é: quanto tempo a pessoa se dedicava, diariamente, a estudar inglês? A segunda é: conseguiu como? Como foi verificada a proficiência dessa pessoa?

Seria maravilhoso se a gente pudesse aprender com milagre. Com uma pílula. Ou por osmose. Eu brinco com meus alunos dizendo que a minha bela e encantadora presença em aula não garante transmissão de conhecimento pelo ar. Aprender um novo idioma é trabalho, minha gente. É dedicação. Não é coisa para milagre, nem para achar que uma hora semanal vai E vejam bem: é trabalho pra você, mas é trabalho maior ainda para o seu cérebro. O córtex, que é aquela fina camada que recobre o cérebro – e também é conhecido como massa cinzenta, é cheinho dos corpos celulares dos neurônios. E o que fazem os neurônios? Eles processam informação. Para fixar palavras, sons e significados os neurônios fazem novas conexões e sinapses. A consequência disso: aumento da massa cinzenta. Aprender um novo idioma é complexo, e isso acaba causando alterações na anatomia cerebral.

No meio dessa trabalheira toda – sua e do seu cérebro – há uma excelente notícia: aprender um novo idioma faz um bem danado pra cabeça. O domínio de um segundo idioma potencializa a parte do cérebro ligada à fluência verbal. O cérebro fica mais sintonizado, a concentração é maior.

E aí fica aqui minha pergunta, ainda que retórica: vocês acham mesmo que dá tempo do cérebro fazer todas essas novas conexões, sinapses, aumentar sua massa cinzenta, em pouco tempo, só porque uma pessoa sabe-se lá com que motivação, decidiu vender um método revolucionário? O cérebro não processa essa revolução toda não. Ele precisa de tempo. Assim como você precisa de tempo também – e temos que respeitar o seu ritmo. Não posso dizer que você será fluente em 1 ano, pois eu não tenho como prever algo tão subjetivo quanto o aprendizado de alguém.

Dá pra acelerar o processo? Ah, isso dá sim. Acho que o que mais pode ajudar é determinar um objetivo, ter uma motivação maior. Aprender porque o chefe pediu não serve como motivação. Você precisa de uma motivação pessoal mesmo. Uma viagem, tirar um certificado, fazer um mês de intercâmbio. É impressionante a diferença que faz um objetivo na vida de um estudante de idiomas. Encontre um propósito seu, pessoal, que te motive de verdade. E estude com base naquilo – e não apenas pensando na obrigação de estudar porque o mercado

Quanto mais estímulo, melhor. Quanto mais prática, melhor. Quanto mais exposição ao idioma, melhor. Além da motivação pessoal, se você quer acelerar o processo de aprendizagem, você precisa se dedicar mais, estudar mais, arriscar mais. Não adianta se prender apenas ao tempo de aula, e nos dias onde não há aula esquecer que o inglês existe.

Abra a cabeça para o inglês e tire vantagem do tanto que somos expostos a esse idioma, Com estudo, dedicação, motivação e um objetivo definido, certamente você notará uma grande diferença na sua evolução. E vai parar de falar sempre “estudo inglês há um ano e não falo nada ainda”

Como exercício pra essa semana, peço que vocês notem o redor de vocês, seus hábitos, e vejam o tanto de inglês que está ali, presente, e às vezes a gente nem nota. Comecem a prestar mais atenção nisso.

Até a semana que vem!

Camila Barbosa

Empresária

Camila é empresária, dona de uma escola de inglês. Mas, acima de tudo, é uma professora apaixonada pela língua inglesa. Gosta de dançar, rir, saber de histórias de pessoas e, claro, de aplicar suas ideias empreendedoras e mirabolantes em sua empresa.