Suzi Pires tem um plano: preparar e lançar mais mulheres no mercado audiovisual

Suzana Pires é inspiração. Uma mulher em forma de furacão, que quer abraçar tudo por onde passa. Atriz, autora, roteirista, com um sorriso largo capaz de transformar o dia de alguém. É assim que ela sempre nos recebe, com um sorriso no rosto, um abraço forte e muitas histórias na manga pra contar.

Suzi, como gosta de ser chamada, começou a carreira muito cedo. Aos 15 anos já era atriz e de lá pra cá não parou mais. Ela diz que a atriz e a autora nasceram juntas, mas que a coragem para se posicionar como autora levou mais tempo, porque queria se preparar tecnicamente para isso. “Como adolescente já trabalhava no que queria, mas queria continuar estudando. Pra escrever um roteiro é importante ter uma formação e estudar porque 90% é técnica e 10% é criatividade. Me formei em Filosofia com 24 anos e trabalhava só como atriz. Aos 25 anos comecei a escrever para o teatro e minhas peças, juvenis, começaram a ser produzidas. Aos 27 anos estreei a peça ‘De perto ninguém é normal’, algo que tinha minha essência, que escrevi pra mim, e levou apenas uma semana para ficar pronta.

Já tinha uma carreira de atriz, a de autora estava começando e essa peça me deu protagonismo. Podia tomar minhas decisões e entender o que era ser dona de si”.

Suzi foi a primeira mulher comediante a fazer stand up comedy no Rio. Há 15 anos montou um grupo só com mulheres. Na época, ela não se deu conta de que o que estava fazendo era algo totalmente inovador, trazendo as mulheres para um espaço onde elas não costumavam ter esse protagonismo

Com o sucesso da peça, Suzi ficou conhecida no mercado e não demorou para ser contratada pela Globo, como atriz. Na mesma época trabalhou para uma produtora, chamada Conspiração, onde era autora e escrevia para a tv fechada. Três anos depois, a Globo a convidou para ficar na emissora como autora e atriz e ela prontamente aceitou. “O audiovisual é minha paixão e o teatro me dá gás, me dá força. Entrei na Globo fazendo o Caras de Pau, fiquei mais dois anos com o autor Walther Negrão como colaboradora, depois fui coautora e titular, que são as três fases de um autor de televisão. Agora, assino sozinha como autora, apresentando algo totalmente meu. Acredito que o que me trouxe esse reconhecimento é o fato de que dei o melhor de mim em todos os momentos”.

 

 

Suzana diz que no último ano se tornou dona da sua voz, porque a permitiram mostrar, por meio do seu trabalho, sua visão de mundo e tem muito mais trabalho pela frente. Recentemente, ela assinou um contrato para fazer três filmes e, no ano que vem, o De perto ninguém é normal, filme baseado na peça que a lançou pro mundo, deve estrear no início do ano, mas a data ainda não foi divulgada.

Além do filme, Suzi está escrevendo uma novela para a Globo, a primeira em que vai assumir a autoria de forma totalmente independente e ainda tem um livro pra ser lançado. O que não falta para essa mulher poderosa são planos que já estão saindo do papel.

Além de todos os planos que estão a todo vapor, Suzi falou um pouquinho do projeto Dona de Si, que começou com uma Coluna na Marie Claire no ano passado e fez tanto sucesso, que o projeto se tornou um Instituto este ano para ajudar mulheres no audiovisual e também virou uma linha de produtos. No início do mês ela lançou sua coleção-cápsula de bolsas Dona de Si, em São Paulo.

 

Nesses últimos dois anos foi como se tivesse virado adulta, completamente responsável pelo que falo, uma voz que inspira mulheres, uma postura que inspira outras pessoas. Hoje sou a única no lugar em que estou, como atriz, autora e roteirista e luto para que outras mulheres ocupem esse lugar”.

 

 

Apesar do grande sucesso hoje, Suzi diz que nem sempre foi assim. “Hoje as pessoas já sabem quem eu sou e conhecem o meu trabalho. Mas no começo as pessoas pareciam não acreditar muito no meu potencial. Já ouvi algumas vezes ‘como assim, uma atriz que também escreve séries, novelas?’ mas poucas pessoas sabiam que tudo o que fiz em cena na Globo, também estava escrevendo outro trabalho por trás das câmeras. Que bom que hoje não preciso mais me preocupar com isso”.

Sobre o mercado de trabalho, Suzana diz que é um eterno desafio porque as mulheres precisam se provar constantemente e que precisamos valorizar nosso trabalho, nossa mão de obra e não ter medo de cobrar por isso.

“Precisamos parar de achar que não gostamos de dinheiro. Se não tivermos essa cabeça, não vamos tomar nossos espaços. Claro que tudo isso deve ser feito com muita ética e com qualidade de entrega”.

 

Sobre o Instituto Dona de Si, Suzana diz que tem muita coisa pra acontecer já no próximo ano. “O instituto é um acelerador de talentos. No próximo ano começamos com a mentoria de uma pessoa. Temos poucas mulheres escrevendo e produzindo audiovisual no Brasil e eu quero colocar mais talentos no mercado. Vamos começar com cinco projetos pra entregar um piloto para o mercado, conseguir colocar na grade de tv ou de serviços de streaming. Quero fazer com que as mulheres consigam ocupar seus espaços“.

Quem quiser participar do projeto, Suzi deu um spoiler para a nossa equipe. “A partir de janeiro ou depois do carnaval vou anunciar como as mulheres podem se inscrever e como será o projeto. Teremos mentoria de grandes artistas do mercado, então no início do ano tem novidade!”

Os Planos de Suzana Pires estão bem definidos e bem organizados. Para o próximo ano, já tem filme saindo, o instituto tomando forma e o seu livro, que já está sendo escrito. Ah, um amor também está nos planos. “Converso meus planos com Deus pra ver se a gente está de acordo (diz ela, aos risos). Faço questão de manter a espiritualidade muito viva. Para o próximo ano acredito que Ele está me mandando um amor. Não faço questão de casar, mas amar é muito bom. Ah, também quero continuar escrevendo peças, séries, novelas. Quero ver muitos trabalhos meus por aí”.

Com todo esse poder, ela finalizou a entrevista deixando para todas as mulheres uma mensagem cheia de inspiração, como ela. “Precisamos nos unir. Mulheres desunidas não chegam a lugar algum, unidas chegam a algum lugar ou vários. Se você implica com outras mulheres, repense seu comportamento. Se é dona de uma empresa é importante contratar mulheres e pessoas negras porque, infelizmente, são essas pessoas que menos têm emprego no país. Precisamos pensar no coletivo. Se continuarmos reproduzindo a cultura da competição feminina, não chegaremos a lugar algum”.

Impossível não se sentir inspirada com uma mulher como a Suzana Pires, tão dona de si, tão poderosa. Uma mulher que está fazendo acontecer, que batalhou muito para conquistar seu espaço e agora quer inspirar tantas outras a ocuparem os seus também.

Junte-se aos nossos planos e compartilhe com a gente a história de uma mulher poderosa que está fazendo acontecer por aí. É só mandar por e-mail no elatemumplano@planofeminino.com.br e vamos juntas mostrar o quão longe podemos ir.

 

 

Kelly Sá

Amante da arte, das palavras. Adora crianças, cachorros e gatos. Formada em Letras, adora trabalhar com conteúdo, fazendo das palavras o seu brinquedo preferido.