Ela tem um Plano: Empoderar meninas e meninos por meio da empatia

Toda semana o Plano Feminino trará histórias de mulheres incríveis que farão parte do Social Media Week compartilhando suas histórias e seus Planos. Vanessa Bencz, autora de quadrinhos que falam sobre bullying e empatia bateu um papo com a gente e falou sobre a sua trajetória profissional, contando um pouco sobre sua palestra no Social Media Week. Ela vai falar sobre empatia e sobre a importância de se colocar no lugar do outro.

Vanessa é a filha do meio. Desde criança sofria muito com bullying na escola e somente na adolescência foi diagnosticada com TDAH, transtorno de déficit de atenção com hiperatividade. Um dia foi convidada para dar uma palestra na escola da cidade e isso mudou a sua vida.

“Na palestra, nem falei sobre leitura: me foquei no tema “bullying”, pois percebi que aquela turma praticava muito toda a violência que sofri quando era criança. Assim que terminei conheci naquela escola uma menina que cometia automutilação. Com o coração apertado por conta da história dela, resolvi ajudá-la.”

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Quem é a Vanessa? Conta pra gente sobre sua trajetória pessoal e profissional até aqui.
Sou de Joinville – SC e viver em uma cidade de interior, com pouca informação, foi algo que estava contra mim. Me tornei tímida, reclusa e amava desenhar. Aos 16, me apaixonei por literatura por meio do Harry Potter. Decidi que trabalharia com escrita. Estudei jornalismo e trabalhei muito tempo como repórter de jornal impresso.

Um dia, uma amiga que era professora de escola pública me convidou a dar uma “palestra” para uma turma de 6a. série. Ela queria que eu falasse sobre a importância da leitura. Resisti a fazer esta palestra, pois sempre tive problemas em falar em público. Entretanto, depois de muita insistência da professora acabei aceitando.

Na palestra, nem falei sobre leitura: me foquei no tema “bullying”, pois percebi que aquela turma praticava muito toda a violência que sofri quando era criança. Assim que terminei conheci naquela escola uma menina que cometia automutilação. Com o coração apertado por conta da história dela, resolvi ajudá-la. Nesse meio tempo, aquela professora disse que nunca tinha visto os estudantes tão empolgados. Pediu para eu repetir a palestra para a 7a. série. Foi tão legal quanto da primeira vez, mas tive contato com outra estudante que cometia automutilação. E pior: ela sofria abusos sexuais dentro de casa.

Eu tentei ajudar esta menina, mas ela cometeu suicídio e eu fiquei muito tempo mal. Resolvi continuar a fazer palestras e ajudar outros estudantes. Um dia, um professor me deu a ideia de fazer um livro falando sobre bullying. Foi assim que comecei a luta para financiar meu projeto, uma história em quadrinhos chamada “A Menina Distraída“. Financiei pelo Catarse com sucesso e as palestras começaram a bombar pelo Brasil inteiro. Mudei ligeiramente o foco da minha narrativa – não falo apenas sobre bullying e sim, sobre a importância da empatia. Considero este o valor social com maior potencial transformador! Hoje completo quatro anos de palestras: já realizei até o momento 619. É o que amo fazer!

Qual sua percepção sobre o mercado que atua? Como as mulheres estão inseridas nele?
Na minha visão como autora de história em quadrinhos, vejo o quanto o machismo ainda impera. Como é um ramo predominantemente masculino, me acostumei a conviver com autores de HQ que são extremamente machistas, arrogantes e debochados. Os leitores típicos de HQ também demonstram grande deboche porque meu trabalho é engajado socialmente. No começo isso me abalava e intimidava, é sempre difícil conviver com rejeição, independentemente da nossa idade e do nosso desenvolvimento emocional. Mas hoje realmente não me deixo afetar e faço grande proveito dos espaços que conquisto para falar. Como palestrante, tenho percebido uma receptividade incrível.

Conte sobre o tema que você levará para o SMWSP.
 A palestra que levarei para o SMWSP se chama Empatia – a Ferramenta Social mais Poderosa do Mundo. Quero compartilhar com os ouvintes a minha experiência com esta ferramenta que se trata da capacidade de se colocar no lugar do outro. Todos nós, seres humanos, somos dotados da capacidade da empatia. Mas muitos não a exercem no decorrer da sua vida.
Em uma sociedade acostumada a competições não desenvolvemos esse músculo incrível que nos projeta para dentro do coração dos outros. Falamos muito em liderança, em noção empresarial, em economia, em dinheiro, mas não falamos sobre como sermos pessoas melhores dentro do nosso contexto social. A empatia é uma peça-chave que nos conecta uns aos outros por meio da afeição, da confiança, do amor, e nos transforma em pessoas mais autênticas, corajosas, atuantes DE VERDADE. Na palestra, vou contar como utilizei da empatia para aumentar minha voz por meio de uma campanha pela paz nas escolas.


Qual seu plano e qual a dica para as mulheres ocuparem seus espaços por direito?
Devemos empoderar umas às outras. Para mim é um prazer ensinar as meninas (tanto crianças como adolescentes) a terem confiança em si mesmas. A terem coragem para falar, determinação para lutar, confiança para amar. Já os meninos, através do mesmo carinho, ensino que devem respeitar, que devem ser autênticos com o coração deles e não com a máscara da masculinidade que a sociedade inventou aos homens. Confesso que às vezes acabo caindo na grosseria para bater de frente com homens (e até com mulheres) que acreditam que “mulherzinha” e “gay” são xingamentos. Mas acalmo meu coração e me muno de toda minha capacidade de empatia e compaixão para olhar nos olhos da sociedade e mostrar que, mais do que mulher, eu sou um ser humano. Valores devem ser respeitados, ignorâncias como machismo, homofobia e racismo merecem o lixo.

Aqui você pode se cadastrar para ir assistir a palestra da Vanessa:

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Redação

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