Vendendo uma beleza irreal

Nesta quarta- feira, autoridades britânicas proibiram a veiculação do anúncio do hidratante antienvelhecimento da empresa de cosméticos L´Oreal, após receber uma denúncia que a imagem da modelo e atriz Rachel Weisz era enganosa.

O produto Revitalift Repair 10 foi veiculado em um anúncio de página dupla em setembro do ano passado, em uma fotografia em preto e branco com o foco no rosto de Weisz e uma lista com os benefícios do creme que incluíam a redução do aparecimento de rugas.

A Advertising Standards Authority – ASA – alegou que Rachel parecia exageradamente mais jovem que sua idade e que isso estava sendo utilizado de forma enganosa para evidenciar o desempenho do produto, aparentando uma pele suave e uniforme. “Apesar de considerar que a imagem no anúncio não deturpa a luminosidade ou rugas do rosto de Rachel Weisz, consideramos que a imagem tinha sido alterada de uma forma que, alterou substancialmente sua aparência para fazer com que pareça mais suave e mais uniforme,” declarou a ASA.

A empresa L´Oreal se defendeu, alegando que as empresas de cosméticos têm o direito de apresentar seus produtos da melhor forma possível e que Rachel foi fotografada sob uma luz ampla e com um foco suave, mas o veredicto não foi positivo para a marca que não poderá mais veicular o anúncio em sua forma atual.

A queixa foi feita pela liberal-democrata Jo Swinson, que é co-fundadora de uma campanha chamada “Campaign for Body Confidence”. Swinson ainda acrescentou que as indústrias da beleza e publicidade precisam parar de enganar os consumidores com imagens desonestas e irreais.

Em julho de 2011, a ASA também proibiu outro anúncio do grupo L´Oreal, onde Julia Roberts aparecia em uma campanha da Lâncome, alegando que a marca abusou da utilização do Photoshop no tratamento da fotografia da atriz. A marca declarou, mas não insistiu que a imagem não havia sido manipulada de maneira enganosa e mais uma vez, o anúncio saiu de veiculação.

Concordo que a apresentação de produtos na mídia precisa ser “da melhor maneira possível”, como disse a L´Oreal, mas melhorar não significa enganar e se as empresas apresentassem seus produtos com ilustrações de resultados reais, com certeza atrairiam mais consumidores do que apresentando imagens visivelmente manipuladas e irreais. Isso só diminui a credibilidade da marca e deixa seus consumidores insatisfeitos com seu próprio corpo e com uma imagem distorcida do que é beleza real.