3 em 7 brasileiras têm ou tiveram medo de perder o emprego pela gravidez

Em publicação recente realizada pela revista Forbes Brasil, foi apresentado o termo PANK (Professional, Aunt, No Kids), sigla que traduzida para o português quer dizer ‘Profissional, tia, sem filhos’. O termo foi criado por Melanie Notkin, fundadora da SavvyAuntie.com, uma comunidade que reúne mulheres que amam crianças, mas que não têm filhos.

Essas mulheres, que também podem ser tratadas como digital influencers assumem papel financeiro importante na vida dos filhos de outras pessoas e são ativas nas redes sociais.

 Mas e quanto às mulheres que não se enquadram à ideologia das PANKs e que são mães ou até mesmo desejam engravidar?

Quais os desafios na conciliação da carreira e maternidade?

 Estudo realizado pelo portal Trocando Fraldas com 11.000 mulheres de todo o Brasil, destaca que mais da metade das entrevistadas

(56%) considera improvável o sucesso profissional de mulheres com filhos.

Nas capitais do Sudeste, as mulheres se apresentaram mais pessimistas quanto ao sucesso profissional unido à maternidade (São Paulo 57,7%, Rio de Janeiro 58,2%, Belo Horizonte 60,4%, Vitória 66,7%).

 Medo de perder o emprego por conta da gravidez

 Faz parte dos Direitos Trabalhistas no Brasil, o direito à estabilidade, em que a partir da descoberta da gestação, a mulher não pode ser demitida, e essa estabilidade é garantida desde o início da gravidez até 120 dias após o nascimento da criança.

Mas ainda assim no Brasil, muitas mulheres sentem-se ‘ameaçadas’ a serem demitidas logo após voltar da licença-maternidade.

 A pesquisa conduzida pelo Trocando Fraldas também aponta que 3 em cada 7 brasileiras têm ou tiveram medo de perder o emprego devido à gravidez. O medo é maior entre as mulheres da região Centro-Oeste e Sudeste (43,8%), contra 38,3% da região Norte. As regiões Fortaleza, Rio de Janeiro, Florianópolis e Palmas são as únicas capitais em que o medo de engravidar é menor em comparação aos demais estados.

 Após a chegada do bebê, o estudo mostra que o problema em comum entre as mulheres é conseguir uma vaga em creche. Em todas as regiões brasileiras, as mulheres relataram dificuldades para matricular seus filhos, sendo a região Centro-Oeste com maior dificuldade e a Nordeste, mais fácil de conseguir matrícula.

 Ser mãe e ter uma carreira de sucesso

 As esperanças e medos das mulheres quase na mesma proporção demonstram o quanto a conciliação de carreira e maternidade ainda gera complexidades no Brasil.

 Em 2016, em pesquisa realizada pela Rede Mulher Empreendedora, patrocinada pelas empresas Avon, Facebook e Itaú com 1.300 mulheres de todo o Brasil, é destacado que 75% das mulheres decidiu empreender após a maternidade.

 Esses dados de pesquisas recentes comprovam que a mulher brasileira tem desafiado o contexto e, decidido pelo desempenho dos papeis maternidade e profissional apesar de todas as dificuldades e preconceitos em uma sociedade predominantemente dominada pelo público masculino.

Liliane Ferrari

Jornalista, consultora e professora de Mídias Sociais do UOL, Escola Cuca, Ecommerce School, Quero Ser Social Mídia, Plugcitarios, e eduK. Apontada como uma das 10 mulheres mais influentes da internet brasileira pelo iG. Com passagem por empresas como Petiscos, LiveAd, Editora Trip, Editora Alto Astral, TV Globo, Time4Fun, C&A, O Boticário, Colgate, Santander, Facebook, entre outras.