5 mulheres cientistas que revolucionaram seu tempo e fazem história até hoje

Após os recentes depoismento sexistas do ex-Nobel Tim Hunt, a revista MS Magazine resolveu criar uma lista com mulheres que revolucionaram o mundo da ciência com suas descobertas e isso em uma época que elas sofriam muito mais com questões de gêneros.

Confira abaixo cinco dessas mulheres que, além de desafiaram o preconceito de gênero e a discriminação grave para se tornarem pioneiras na ciência, também fundaram a American Association of University Women (AAUW).

1. Ellen Swallow Richards, química (1842-1911)

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Ellen Swallow Richards, co-fundadora da AAUW, tornou-se a primeira mulher norte-americana a ganhar um diploma de química, pelaVassar College em 1870, uma época em que as mulheres foram em grande parte impedidas de frequentar o ensino superior. Mas quando Richards foi aceita para fazer doutorado no MIT, ela descobriu que seu caminho seria difícil. Os funcionários da escola disseram-lhe que não havia “nenhum precedente” para uma mulher na pós-graduação. A fim de permanecer estudando, ela ofereceu seus serviços para ensinar química no MIT, criando o Laboratório da Mulher em 1876, importante inciaitiva para aumentar a presença feminina nesse universo.

2. Ida Henrietta Hyde, fisiologista (1856-1945)

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Como Richards, fisiologista do século 19, Ida Henrietta Hyde enfrentou discriminação sexual. Hyde, que recebeu uma bolsa europeia de organização antecessora da AAUW em 1893, se matriculou na Universidade de Heidelberg na Alemanha, em busca de um doutorado. No entanto, uma vez lá, Hyde foi proibida de assistir palestras e frequentar laboratórios e teve de contar com dois assistentes de laboratório do sexo masculino para tomar notas para ela. Ainda assim, ela não desistiu. Apesar das proibições, ela cumpriu com êxito os requisitos para seu doutorado. Ela passou a comandar o departamento de fisiologia na Universidade de Kansas, onde lutou para garantir vários fundos de bolsas de estudo para as mulheres nas ciências.

3. Florença Bascom, geóloga (1862-1945)

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Como estudante do sexo feminino da Universidade de Wisconsin, geóloga e membro da AAUW, Florença Bascom mal foi permitida na biblioteca e foi proibida em salas de aula. Mas talvez o mais notório viés veio quando, como a primeira mulher admitida na pós-graduação na Universidade Johns Hopkins, Bascom foi forçada a sentar-se atrás de uma tela, para não “perturbar” os estudantes do sexo masculino. Bascom tornou-se a primeira mulher norte-americana a receber um doutorado em geologia e também a primeira mulher oficial do United States Geological Survey. Ela também estabeleceria o departamento de geologia da Bryn Mawr, que acabou formando mais mulheres geólogas no início do século 20 do que qualquer outra instituição americana.

4. Dorothy Ferebee, médica (1890-1980)

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Dorothy Ferebee, médica, advogada de cuidados de saúde e membro da diretoria da AAUW, trabalhou incansavelmente para assegurar o acesso aos cuidados de saúde para comunidades carentes. Filha de ex-escravos, Ferebee se formou na Simmons College em 1924 e obteve seu diploma de medicina da Universidade Tufts. Embora tenha se formado entre os cinco primeiros da sua classe, ela enfrentou discriminação pelo sexo e pela cor de sua pele. Frustrada pela falta de oportunidades disponíveis para médicas negras em Massachusetts, Ferebee mudou-se para Washington, DC, onde se tornou uma obstetra no hospital de Freedman, agora Howard University Hospital.

5. Marie Curie, física (1867-1934)

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Marie Curie, cujo trabalho inovador foi parcialmente financiado pelo AAUW, ganhou em 1903 o Prêmio Nobel de Física e em 1911 o Prêmio Nobel de química, tornando-se a primeira pessoa a receber dois prêmios Nobel. No entanto, apesar de suas grandes realizações, Curie nunca foi vista como uma igual por muitos de seus colegas do sexo masculino. Em 1911, o pedido de Curie para se juntar à Academia Francesa de Ciências foi rejeitado, alegando que “as mulheres não podem fazer parte do Instituto da França.” Hoje, Curie é uma das cientistas mais famosas e influentes do mundo, inspirando mulheres e meninas em todo o mundo.

Ana Victorazzi

Jornalista

Apaixonada por café, cor laranja e animais. Formada em jornalismo e mãe de dois gatos, acredita na bondade das pessoas.