A evolução das personagens femininas no cinema

Falamos sempre sobre a importância de mulheres terem voz e vez em qualquer profissão, inclusive no cinema com protagonistas bem construídas em filmes de ação, capazes de conduzir a sua própria história, sem que sirvam de pano de fundo para algum personagem masculino. Selecionamos alguns filmes com mulheres como protagonistas para mostrar como as personagens femininas mudaram com o passar do tempo.

 

Joana D’arc (O Martírio de Joana D’arc, 1928)

Este é considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema. Ele mostra os momentos finais da heroína francesa Joana D’arc (Maria Falconetti), desde sua prisão até o sua condenação à morte.

O filme tem muitas cenas com foco nas expressões e emoções que elas representam. Mesmo com poucas cenas de ação, o filme mostra uma personagem feminina sólida, com uma história heroica e inspiradora, pronta para morrer por aquilo que acredita.

 

Christina da Suécia (Rainha Christina, 1933)

Rainha Christina é uma personagem histórica que foi contra os costumes de sua época para defender os seus ideais. Criada para governar a Suécia, Christina recebeu uma educação diferenciada e que privilegiava apenas os homens. Mas com a morte precoce de seu pai, ela assume o trono aos seis anos de idade e, ainda muito nova, é pressionada a casar com o herdeiro do trono francês por interesses políticos.

Christina se disfarça de homem e decide fugir para longe da corte e acaba se apaixonando por um embaixador espanhol com quem divide um quarto. Mes com um toque mais romântico, o filme mostra ideais que iam contra o que se esperava na época como a discussão sobre o papel e a liberdade da mulher e as possíveis relações homossexuais da antiga rainha sueca que desafiavam os valores conservadores da época.

 

 

Leia Organa (Star Wars, 1977)

“Star Wars: Uma Nova Esperança” chegou aos cinemas no final da década de 70 e com ele uma personagem marcante: a princesa Leia (Carrie Fisher, de “Star Wars: O Despertar da Força”). Filha de Anakin Skywalker e Padmé Amidala, a irmã gêmea de Luke Skywalker se tornou general da Aliança Rebelde ainda jovem, protagonizando a luta contra o Império de Darth Vader.

Mantida como refém por seus inimigos, Leia manda uma mensagem de socorro para Obi-Wan Kenobi, fazendo com que Luke Skywalker e Han Solo se unam para libertá-la. Quando os dois finalmente a encontram, os primeiros sinais de independência, força e liderança da personagem começam a aparecer. Ela não se comporta como a típica donzela em perigo, mas sim como uma corajosa líder, ativa em combate e segura de si, mesmo cercada por homens. É essa personalidade forte e bem construída que a tornaram tão querida, marcando o início de um perfil de personagens femininas nos cinemas, especialmente em filmes de ação e ficção científica.

Ellen Ripley (Alien, 1979)

Outro filme de ficção científica protagonizado por uma mulher com forte espírito de liderança é “Alien”. O filme mostra a tripulação da nave Nostromo em sua viagem de volta à Terra.

 

A protagonista se mostra como uma mulher comum, com uma personalidade complexa, que faz com que o público se identifique com ela. É uma heroína movida por sua própria existência, cheia de coragem, inteligência e também com seus medos. Ripley é incrível pois grande parte do filme mostra ela sozinha, reforçando que filmes de ação podem ter uma protagonista feminina forte.

Beatrix Kiddo (Kill Bill, 2003)

O quarto filme de Quentin Tarantino (“Os Oito Odiados”) não é uma exceção aos exageros próprios do diretor, mas, pela primeira vez, quem embarca em uma jornada de violência ao conduzir a história é uma mulher.

Após quatro anos em coma, Beatrix Kiddo (Uma Thurman, de “Savages”) acorda e descobre que foi baleada na cabeça no dia de seu casamento. Todos os que estavam na cerimônia foram assassinados por seu ex-amante Bill e ela, que estava grávida, acabou perdendo a criança. Decidida a se vingar, ela parte à procura de todos aqueles que participaram do massacre.

Logo no início, a personagem é apresentada ao público como “A Noiva”, um apelido irônico que contrasta com a sua motivação. Beatrix é uma mulher orgulhosa e destemida que passa por bons bocados até encontrar os capangas de Bill.

Cenas cheias de sangue e lutas inspiradas nas artes marciais orientais mostram uma mulher que perdeu tudo o que tinha, mas não se entrega. A cena em que ela, sozinha, enfrenta a gangue de assassinos, resistindo à diversos tipos de tortura, trazem à tona uma determinação inspiradora.

Beatrix é uma personagem complexa, uma espécie de heroína descontruída, mas que resiste aos estereótipos e aos papéis superficiais que os filmes do gênero costumam entregar às mulheres.

Maggie Fitzgerald (Menina de Ouro, 2004)

Hilary Swank (“Logan Lucky”) dá vida a Maggie Fitzgerald, uma mulher pobre que trabalha como garçonete e deseja se tornar lutadora de boxe. Ela começa a treinar em uma academia e convence o dono do local, Frankie Dunn (Clint Eastwood, de “Sniper Americano”) a orientá-la.

Nessa busca para realizar seu sonho, Maggie enfrenta o conformismo de sua família e as palavras duras e muitas vezes machistas de seu treinador. Sua dedicação faz com que chegue ao torneio mundial de boxe. A final do campeonato acontece uma das cenas mais emocionantes, deixando claro a força e a determinação da personagem.

A trajetória de Maggie é mostrada de uma forma tão sensível e inspiradora que o filme ganhou o Oscar de melhor filme e de melhor atriz.

Imperatriz Furiosa (Mad Max: Estrada da Fúria, 2015)

Esqueçam que o nome do filme é “Mad Max” por um instante. Aqui, quase todo o roteiro e o desenvolvimento do filme terão como base a Imperatriz Furiosa (Charlize Theron, de “Atômica”).

Em meio a um mundo apocalíptico, discussões sobre o papel que a mulher figura na sociedade começam a aparecer sutilmente na tela. Tudo começa quando Max Rockatansky (Tom Hardy, de “Dunkirk”) decide fugir sozinho e acaba sendo capturado pelo tirano Immortan Joe. Seu caminho acaba cruzando com o de Furiosa e ela pedirá a sua ajuda para conseguir fugir com as cinco mulheres que mantém escondidas em seu carro. Conhecidas como “Cinco Esposas”, as jovens são escravas sexuais de Joe e, por isso, a Imperatriz decide levá-las para uma outra cidadela, buscando por uma vida melhor e mais justa.

Furiosa é uma espécie de liderança feminina, colocando-se em prol da liberdade e da dignidade de seu próprio gênero. Decidida e corajosa, é uma personagem incrível e brilha em todas as cenas em que aparece. Seja por sua força física ou por seu discurso altruísta.

Diana Prince (Mulher Maravilha, 2017)

o filme levantou uma grande discussão sobre a representatividade feminina no cinema. Princesa das Amazonas, Diana (Gal Gadot, de “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”) vive em uma ilha paradisíaca e foi treinada desde criança para se tornar uma grande guerreira. Quando um piloto acidentado caí em uma praia da região, ela descobre que uma grande guerra vem dominando o mundo e, por isso, decide deixar sua casa para buscar a paz.

É no meio desse caos que ela irá se descobrir, tomando conhecimento de seus poderes e de sua incrível força – não apenas física, mas argumentativa.

Lorraine Broughton (Atômica, 2017)

Aqui, Charlize Theron, que já viveu outras personagens duronas, como a Imperatriz Furiosa, mostra uma protagonista multifacetada e segura de si.

Lorraine é uma agente do serviço secreto britânico que, após a queda do muro de Berlim, é enviada à cidade para resgatar um conjunto de arquivos importantes para o governo. Junto de Percival (James McAvoy, de “Fragmentado”), o chefe da estação local, ela também irá investigar a morte de um colega, com quem tinha uma relação especial.

A sensualidade da personagem se mostra presente, mas não de uma maneira vulgar. Suas habilidades e sua coragem ressaltam a complexidade humana, mostrando um lado brutal e sensível ao mesmo tempo. O filme “Atômica” trabalha com uma personagem feminina cheia de nuances e que conquista seu protagonismo deixando de lado o estereótipo da mocinha indefesa e, também, o da personagem feminina de ação que busca o sucesso por meio de seu corpo.

Ela é uma espiã convincente, que mostra sequências incríveis de briga e pancadaria. Lorraine é um exemplo do quanto as protagonistas femininas evoluíram e ganharam espaço nos últimos anos, constituindo uma grande protagonista de filme de ação.

 

Kelly Sá

Amante da arte, das palavras. Adora crianças, cachorros e gatos. Formada em Letras, adora trabalhar com conteúdo, fazendo das palavras o seu brinquedo preferido.