Balzac que me perdoe, mas não há nada como uma menina de 40

A vida tem fases, rituais, momentos, altos e baixos. E o tempo passa, mesmo quando não queremos, ele insiste em ser desobediente. A menina mais nova da turma, que sempre sonhou com seios fartos ou não ter horário pra voltar pra casa, invejando as mais velhas, um dia faz 18 (pai me deixar tirar logo essa habilitação), 24 (se formou?), 28 (cadê o namorado?), 30 (ele está te enrolando), 33 (finalmente, casada, mas precisa arrumar bebê logo, o relógio não para)…

E os anos passam, as fases também, tudo que era essencial em um momento se torna apenas uma lembrança feliz em outro. Os amigos da faculdade deixam apenas saudade em vez de buracos de cigarro no sofá da sua república. O namorado ideal vira um ex-marido e com ele a eterna sensação de “onde errei?”. MBA, filhos, carreira e a menina, agora mulher, se sai muito bem em todos os ciclos, sempre consciente que um dia ela não terá mais a idade de todas as heroínas de chick lit ou comedias românticas. Afinal, se a Meg Ryan se tornou uma tia enrugada, o tempo não será mais complacente com ela.

Com o fim dos 30 anos vêm também as dúvidas: será que escolhi a profissão certa? E se tivesse ido morar na Europa quando tive oportunidade? Será que o divórcio foi uma boa, afinal a atual dele parece adorar os defeitos que tanto a irritavam? Deveria ter tido filhos antes. Ou, por que limitei minhas escolhas tendo um filho? Muitas dúvidas, mas apenas uma certeza, você nunca mais será tão linda como é agora.

Com, praticamente essa sentença de fim de vida, chega seu aniversário de 40 anos. E agora? Como vai ser? Minhas heroínas, Brigdets, Carreys são meninas perto do que me tornei. Não tenho mais as mesmas escolhas. O mercado de trabalho não vê com bons olhos uma mulher de 40 anos. Nenhum homem me chamará mais de menina. E com tudo isso em mente, você, que sempre amou festas de aniversário, neste, resolve se isolar.

Vai ver o mar, só, aliás, você e os milhões de pensamentos negativos que habitam seu cérebro neste momento. E com um bom vinho, que agora, ao contrário da época de faculdade, você pode pagar, resolve se entregar a este sentimento de mulher de 40, afinal, ele já está ali com você, pois ninguém faz quarenta no dia do aniversário. É uma sensação que vem te acompanhando desde os 30 e muitos, mas você prefere ignorar. Chegou a hora de ver de frente, como tudo que você fez na sua vida até hoje.

E você acorda no dia seguinte, uma menina de 40 anos e percebe que não mudou quase nada, você continua bonita, sabe o que não a favorece, mas sabe lidar com isso de uma forma muito mais segura. Continua jovem, empolgada com tudo que a rodeia e você ama. Mas… espera, algumas coisas mudaram sim.

Coisas que tiravam minha paz e o meu sono hoje não têm mais tanta importância. Descobri que me amo mesmo e aceito quem me tornei. O bom e o ruim que há em cada um, hoje aceito e sei que me amo mais por isso, podendo também amar mais o próximo, afinal, o príncipe da Disney está cada dia mais distante… ainda bem!

 

Daniele Globo

Jornalista

Jornalista e redatora com MBA em Marketing, uma apaixonada pelas letras. Sócia da Parla, Donna!, uma agência de comunicação e marketing, onde exerce sua criatividade e assina com personalidade os conteúdos que cria. Gastronomia, viagens, livros, filmes, músicas, decoração, pizza, temakis, vinho e seus cachorros (Pudim, um lhasa de personalidade forte, e Antônia, uma doce boxer albina) são algumas de suas paixões.