Ciência tem mulher sim. E se reclamar, mulher com Nobel

Não é de hoje que áreas da tecnologia e da pesquisa científica se tornaram domínios masculinos. O ambiente de TI atual é notoriamente hostil com mulheres e muitas programadoras de games estão sofrendo ameaças de morte e estupro, como a Brianna Wu e a gamer e crítica de mídia Anita Sarkeesian.

Por isso, a notícia que a Disney se uniu com a NASA e o Google para criar uma série futurista que estimule as meninas a seguirem carreiras em Ciências e tecnologia é um grande passo para mudar esse quadro.

Miles from Tomorrowland traz as aventuras de uma família composta pelo aventureiro Miles, sua irmã programadora Loretta, seu pai, o engenheiro Leo e sua mãe Phoebe, a capitã da nave da família. A ideia é inspirar a próxima geração de meninas com um personagem forte e interessante.

Inspiração para gerar mudanças

A fundação para mudança social Verizon já assumiu a causa com a campanha #InspireHerMind, falando da importância de encorajar meninas a gostar de ciências, tecnologia, engenharia e matemática.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, as mulheres são retratadas sempre em papéis relacionados às áreas de humanidades e ciências sociais e papéis de gênero, desencorajando sua participação em áreas de exatas. Segundo a instituição, apenas 10 a 20% das mulheres são engenheiras, programadoras, analistas de sistemas.

Marie Curie: dois prêmios Nobel em categorias diferentes

Sabendo que uma das formas mais eficientes de inspirar mudanças é pelo exemplo, o site da Verizon traz diversos exemplos de mulheres extraordinárias nas ciências hoje, como Robyn Beaver, engenheira pioneira em projetos de sustentabilidade, e France Córdova, a primeira Cientista Chefe mulher da NASA.

Mas talvez seja bom voltar um pouco no tempo para trazer um dos exemplos mais emblemáticos. Marie Curie, uma cientista polonesa, descobriu a radioatividade e mudou a forma como entendemos matéria e energia, além de revolucionar a medicina.

De uma família pobre, filha de professor, Marie  trabalhou desde cedo para pagar os estudos. Ela se formou em primeiro lugar em Física na Sobornne em 1893 e, um ano depois, graduou-se também em Matemática (em segundo lugar), aos 27 anos.

Foi aí que conheceu o professor Pierre Curie, com quem se casou e passou a trabalhar. Em 1896, durante suas pesquisas com urânio para o doutorado, Marie descobriu o elemento rádio. Mais tarde, o polônio e, com eles, a radioatividade.

Por suas descobertas, Marie recebeu o Nobel de Física em 1903 e o de Química em 1906. Até hoje é a única que recebeu dois prêmios Nobel em categorias científicas distintas. Ela se tornou a primeira mulher a lecionar na Sorbonne e suas pesquisas ajudaram a desenvolver o raio-X, que ela mesma testou durante a Primeira Guerra Mundial. Sua filha, Irène, viajava com a mãe e seguiu seu exemplo: tornou-se cientista e recebeu o Nobel de Química em 1935.