Ela tem um Plano: Amanda Palma e a Casa Rodante

Uma produtora de vídeo itinerante, dois companheiros inquietos e interessados em rodar o Brasil registrando ecoturismo, riquezas da cultura local e turismo sustentável. Isto é a Casa Rodante. Um projeto profissional que tem como foco a vida.

O casal por trás da Casa Rodante, é Amanda Palma e Vinícius Guerra. Eles largaram o conforto de casa, do wi-fi e partiram Brasil afora, descobrir suas belezas ao percorrer diversas cidades. E, na mochila uma produtora de vídeo itinerante. Ao longo desta jornada eles produzem conteúdos de vídeo e fotografia.

“A ideia é ter liberdade de passar em lugares especiais do Brasil e ter tempo para vivenciar cada um deles, para assim conhecer pessoas e iniciativas que possam gerar conteúdo interessante para serem compartilhadas na internet valorizando e visibilizando a cultura local que é nossa maior riqueza. Viajamos pelo Brasil pois sabemos o quanto de belezas existe por aqui.”

Para viabilizar esse projeto, realizam vídeos institucionais e fotografias para hostels e pousadas que os recebem e auxiliam no apoio logístico. O site Worldpackers, seu grande parceiro, é uma start-up brasileira que ajuda viajantes a realizarem trabalho voluntário em troca de hospedagem no mundo todo. “Acreditamos que isso também ajuda a fomentar o turismo local, pois procuramos valorizar as características únicas de cada hostel que visitamos e também ressaltando as belezas da cidade e da cultura onde está inserido. Sempre procurando divulgar e valorizar um turismo sustentável e consciente.”

Amazonas

Enquanto eles estavam rodando pela Amazônia, Pará e Pernambuco, batemos um papo com Amanda sobre a Casa Rodante.

1- Como surgiu a Casa Rodante?

Nós sempre gostamos de viajar e ter novas experiências, mas queríamos fazer algo diferente de viagens puramente turísticas, que muitas vezes podem ser superficiais. Queríamos ter mais tempo para explorar cada novo lugar e nova cultura que conhecemos. Acho que há mais de um ano estávamos matutando e procurando maneiras de tornar isso realidade, ou seja, pelo menos viável financeiramente. A partir de muita reflexão e pesquisa criamos este projeto, com o qual pretendemos tornar nossas viagens mais sustentáveis, realizar nossos desejos de conhecer novos lugares e ainda preencher uma lacuna de conteúdo sobre os lugares que visitamos, falando sobre turismo sustentável e consciente.

2- Quais lugares que vocês já visitaram?

Estamos trabalhando com planejamentos por etapas. Em setembro de 2014 fizemos uma viagem pela Bahia, passando por Salvador, Ilha de Boipeba e Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Esta primeira etapa foi um aquecimento para nós, para ganharmos experiência com questões técnicas, como o lido com os equipamentos e bagagens.

Agora estamos vivendo uma segunda experiência neste verão, onde ficaremos quase 70 dias direto na estrada. Nesta viagem estaremos principalmente em 3 estados: Amazonas, Pará e Pernambuco. Agora estamos em Recife, e é impossível não se deixar levar pelo clima cultural dessa cidade, aqui nosso foco é na cultura musical, o Frevo, Maracatu, e os novos movimentos artísticos que estão despontando por aqui.

3- Já pensaram no próximo destino?

Temos outros projetos de trabalho e estudos no Rio e por isso precisamos voltar para lá após o Carnaval, mas com certeza quando voltarmos já vamos iniciar o planejamento de uma próxima jornada, mais longa, da Casa Rodante. Ainda estamos vivendo muito intensamente nossa experiência atual, portanto não temos ideia de qual será a próxima etapa, mas a moral da história é que no Brasil não faltam lugares e pessoas lindas sempre dispostas a nos receber.

4- Maior aventura?

Tivemos muitas aventuras, acho que a mais recente que nos marcou foram as viagens de navio que realizamos Manaus-AM e Belém-PA. No total foram cinco dias e quatro noites, dormindo de rede no setor coletivo, sendo que paramos na metade do caminho para um período de 15 dias na paradisíaca Alter do Chão-PA. Para alguns uma viagem assim pode ser sinônimo de “perrengue”, mas quem conseguir vencer seus preconceitos e embarcar numa aventura dessas com certeza não se arrependerá. A viagem passa por trechos lindíssimos dos Rios Amazonas e Tapajós, passando devagarinho e muito próximo das margens. No meio do caminho, locais entram e saem do barco, vendendo iguarias como açaí, frutas, palmito e castanhas do Pará. O público do barco é composto de muitas famílias, que estão em sua maioria viajando para encontrar seus familiares. Dentre turistas a passeio, por incrível que pareça, não encontramos muitos brasileiros, a maioria dos turistas são de outros países, como França, Portugal, África do Sul, Austrália, etc.. Sabemos que muitas vezes o brasileiro prioriza outros países como destino, antes mesmo de conhecerem a nossa própria terra. Um dos objetivos do nosso projeto é tirar o estigma de que viajar pelo Brasil é caro ou inseguro, o Brasil é incrível, o que mais encontramos no caminho são pessoas bondosas dispostas a ajudar e turistas do mundo inteiro maravilhados com o nosso país.

5- Maior conquista?

Acho que nossa maior conquista até agora aconteceu num episódio quase trágico, em uma trilha da Chapada Diamantina acabamos nos empolgando com a paisagem e deixamos a noite chegar de surpresa, no meio da trilha de um rio, sem lanterna, pouca comida e sem barraca, em um grupo de 7 pessoas. Nós nos unimos fortemente e voltamos devagarinho pela água e por pedras, sem ninguém se machucar gravemente nem ser picado por alguma cobra ou aranha, que era nosso maior medo. Quando você está numa situação extrema e é desafiada você adquire uma consciência maior acerca de pesos e medidas. Também aprende a valorizar o instinto e a intuição, que eu acredito que nós mulheres somos privilegiadas nesse sentido, mas precisamos saber aguçar e principalmente confiar mais em nossos radares naturais.

6- Projeto do bem?

No Amazonas e Pará optamos por fazer uma viagem amazônica, buscando as belezas naturais e também nos integrar com as comunidades que visitamos. Na nossa estada em Alter do Chão-PA, visitamos uma iniciativa turística comunitária, a comunidade de Maguary, na FLONA, Floresta Nacional do Tapajós. Lá todos os turistas são atendidos pelos próprios moradores, que guiam para as trilhas, administram pousadas familiares, pequenos restaurantes e realizam trabalhos de arte, acessórios e artesanato, tudo de forma sustentável sem prejudicar a natureza e gerando trabalho e renda para a população. É este tipo de turismo pelo Brasil que queremos divulgar.

7- Pessoa do Bem?

As pessoas que você dedica atenção são sempre do bem. Quando você sai da superficialidade nos relacionamentos, por mais fugazes que estes sejam, e tratam o outro como um igual, percebe que o bem está em todos os seres.

8- Um lugar especial?

Pra mim um lugar mega especial, mas especial mesmo, precisa atender alguns quesitos: natureza exuberante, cultura efervescente e pessoas incríveis, inspiradoras e conscientes. Dois lugares de tirar o fôlego em todos os sentidos são: a vila de Vale do Capão na Chapada Diamantina, e a praia de Alter do Chão no Pará.

9- Inspiração?

Até a minha adolescência eu observava passivamente as histórias de alguns viajantes que esbarrava por aí, na vida real e na literatura, mas me lembro que era muito difícil encontrar historias assim com mulheres como protagonistas. De uns tempos pra cá sinto uma mudança nesse sentido, cada vez mais vejo mulheres maravilhosas que são donas do seu mundo e estão na estrada atrás de seus ideais. Minha inspiração são elas.

10- Recompensa ?

Viver.

11- Viajar é …

Um caminho possível para a consciência e a iluminação.

12- E para quem ainda tá em dúvida sobre seguir seus Planos, que incentivo você pode dar?

Acredito que quem tem um sonho de verdade e de coração não tem dúvidas. Existe um mar de diferenças entre sonhos e expectativas, na medida que você consegue descobrir essas diferenças e separar esses dois sentimentos, as dúvidas acabam pois a ação é a única alternativa viável. Quando você abandona as expectativas percebe que não adianta esperar pelo outro ou pelo destino.