A vida sem autossabotagem é melhor

 

A gente tem medo de encarar muitas coisas na vida. De uma panela de brigadeiro à uma traição. A gente tem medo. Medo de engordar, medo de se magoar. Muitas vezes deixamos de viver uma história de amor, de agarrar uma oportunidade melhor de emprego e tantas outras coisas que passam pela nossa frente, por medo. Eu tenho medos. Tenho medo de morrer, por exemplo. Quem não tem? Eu quero viver muito. Sã e loucamente.

Quero fazer muito mais amigos, amar muito, ver meus netos e bisnetos. Quero ver o pôr-do-sol em diferentes lugares do mundo, ganhar muito dinheiro e tomar infinitos mojitos. Quero viver pra caramba! E para isso, não adianta me esconder num casulo. Preciso acordar todo dia, tomar meu café sem açúcar, malhar para deixar o corpitcho em forma – porque depois dos 30 a vida fica ainda mais complicada – e decidir encarar aquele cliente chato que só sabe “agregar valor” em teorias infundadas. Enfim, preciso superar meus medos. Tanto da gravidade quanto da falta de noção alheia. A vida é assim.

Eu sei, falar é fácil. Difícil é deixar a batata frita de lado e optar por saladas e grelhados. É duro, mas necessário. Assim como encarar o ginecologista e exames, que mesmo que a gente finja que não existem, estão ali, disponíveis e esperando a gente tomar coragem para fazer e se prevenir.

O teste de aids, por exemplo é um dos mais temidos por nós. É, a gente faz besteira e depois tem medo de dar de cara com as consequências, né? É mais fácil fingir que não sabemos de nada. O famoso “Nem me lembro o que aconteceu a noite passada”. Mas é preciso lembrar, e como adverte o Ministério da Saúde em sua campanha na luta contra a aids “ Para viver melhor, é preciso saber” e tem coisas que é muito melhor saber antes. Ser a última a saber é traumático, sempre. Quando eu li que existem mais de 255 mil pessoas com aids que NÃO sabem disso, me assustei. É, acho que não estou sozinha no time das medrosas – e isso não tem um pingo de graça – é sério. A gente sempre arruma desculpas.

Mas o fato é que a gente precisa parar de agir como se não houvesse amanhã e se cuidar –prevenir. De que adianta conquistar o mundo, um glúteo durinho e a presidência das empresas, se quando o assunto é nós mesmas, não fazemos nada para nos ajudar? A cada dia cresce o número de mulheres bem sucedidas no mundo dos negócios e por ironia ou falta de atitude nossa, o número de mulheres relapsas com sua saúde – sem tempo para se cuidar. Aliás, quando você fez seu último checkup?

 

 

O Ministério da Saúde faz um esforço tremendo todos os anos, implorando para que a gente se cuide. Distribui cerca de 500 MILHÕES de camisinhas, faz campanha de propaganda, folhetos – nos suplica. Que incoerência! Me faz pensar que autossabotagem deveria ser crime, sem direito à fiança. A gente tem medo de ser traída por nós mesmas – aliás esta é a pior das traições – se você já passou por isso, sabe do que estou falando. Se não, aprenda com o erro dos outros. É mais inteligente e prático. Dói menos, digamos. Cuide-se, faça o teste de aids – NÃO CUSTA NADA, É GRATUÍTO, use camisinha, tome 2 litros de água por dia, coma uma trufa de cacau por semana, dê muitas risadas e pule corda. Tudo vai ficar melhor. Acredite. Quando a gente enfrenta nossos medos, protegemos nós mesmas e as pessoas que a gente ama. É libertador. É vida.

Vamos lá, não custa nada cuidar de você. Atitude, menina!

Viviane Duarte

Fundadora

Jornalista e Fundadora do Plano Feminino. Sua paixão está em criar estratégias que inspirem e gerem conexões com propósito por meio de conteúdos e projetos especiais que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento feminino na publicidade e sobretudo, na sociedade.