Agora é a hora de nos unirmos

Ninguém solta a mão de ninguém. Acordei com essa frase na cabeça como se fosse um mantra, e pensando que a vitória de ontem representou uma derrota para a democracia, mas que nunca me senti tão aliviada em estar do lado certo da história. Em estar ao lado de pessoas que me acompanham nessa jornada, professores que admiro, de artistas que representam e simbolizam em suas obras o que penso.

Sabemos que dias difíceis estão por vir, mas resistir em tempos de intolerância não é algo novo para quem é mulher, negra(o), homossexual, indígena, pobre, periférica (o) e qualquer pessoa que se enquadra em um ou mais de um grupo socialmente minoritário. Resistir é a nossa essência.

Não é uma novidade para nós lutar contra isso. É uma batalha diferente. Também não é o momento de recuar, porém precisamos ser estratégicas e olhar pelos nossos.

 

Arte: Thereza Nardelli

E por mais que estejamos em um momento crítico, agora é a hora de nos unirmos, de nos protegermos, de nos aproximarmos dos mais de 47 milhões que votaram a favor da democracia, do respeito à diversidade, do amor e da luta.

Desde o começo das eleições, tenho recebido mensagens de amigas e amigos que estão com medo. Não é fácil ver que um candidato que representa tanto ódio foi eleito, mas nossa luta não está sendo — e nunca foi — em vão.

Por isso, separei algumas dicas que podem ajudar a passar por esses dias turbulentos:

  1. Preserve sua saúde mental. Procure não entrar em discussões políticas e nem brigar com quem não concorda com seu posicionamento. Precisamos estar prontas (os) para os dias que estão por vir, e pra isso é necessário muito preparo psicológico.
  2. Se alie a quem quer seu bem estar e procure oferecer suporte aos seus amigos e pessoas próximas que estão sentindo medo. Mostrar que não estamos sozinhas (os) é o primeiro passo para nos fortalecermos.
  3. Faça roda de conversas, compartilhe materiais e notícias que ofereçam algum tipo apoio, procure se reunir com seus amigos para juntos buscarem forças.
  4. Se proteja e ande acompanhada(o) sempre que for às manifestações. Caso seja ameaçada ou sofra algum tipo de repressão policial, lembre que só podem te levar para a delegacia se houver ordem judicial contra você ou se acontecer algum flagrante em delito. Outro fato importante: a polícia não tem direito de mexer em seu celular sem um mandado.

Dicas de segurança:

 

São 229 dias sem resposta. Tentaram silenciar Marielle, mas não vão nos calar. Não vão nos reprimir. Somos frutos da resistência dos nossos antepassados, se eles conseguiram, nós vamos conseguir.

Beatriz Magalhães

Beatriz Magalhães é jornalista, integrante do coletivo negro estudantil Africásper, escreve sobre feminismo, ativismo negro e outros temas relacionados a negritude. Mas muito além dos papéis sociais, é uma pessoa que acredita no poder da comunicação, do diálogo que transforma pessoas e na importância de realmente se conectar com quem está ao seu redor.