Como lidar com as nossas expectativas de vida?

Hoje eu li um texto da Ruth Manus em que ela falava que o mundo mudou tanto, mas continuamos com expectativas antiquadas em relação às nossas vidas. Aquela velha coisa de: aos 30 você deve estar consolidada na carreira, aos 33 deve estar casada, aos 35 já deve ter dois filhos; e, nesse meio tempo, deve também ter conquistado casa própria, carro da marca tal e ter conquistado o mundo com seu carisma e beleza interior.

Esse texto me fez refletir muito. A vida não acontece como a gente acha que ela deveria acontecer. Temos percalços, mudamos de ideia, coisas boas e diferentes acontecem, coisas ruins também. E, mesmo assim, estamos lá, nos comparando à pessoa tal, nos cobrando que já estamos com quase 40 e ainda curtimos dançar Madonna, Britney e Beyoncé (desculpe, mundo, eu gosto).

Eu tenho 36 anos, quase 37, e ainda não tenho casa própria. Nem carro – na verdade, nem sei dirigir. Ainda não tive filhos, e, segundo a minha ginecologista, eu terei dificuldade para engravidar – pela idade e pelos meus problemas hormonais. A crise – ou recessão, seja lá como você quer chamar – tem me pegado de jeito mesmo e eu estou me virando em 10 para diversificar, ser criativa, e continuar trabalhando na área que é a minha vocação de vida.

Ainda não conheci todos os lugares do mundo que quero conhecer, aliás, nem perto disso. Ainda não aprendi as línguas que quero aprender, nem terminei o francês, pra ser bem sincera. Eu sempre achei que a carreira acadêmica teria tudo a ver comigo, mas não estou nem perto de uma pós-graduação, por exemplo. Às vezes o mês fecha com mais dias do que meu dinheiro consegue alcançar.

E nessas, eu vi que estou acumulando tantas frustrações por conta de expectativas que às vezes nem são minhas. E nessas, todas nós vamos acumulando frustrações. E vamos que vamos nessa de nos compararmos à mãe, ao primo, ao amigo X que aos 30 já tinha tudo o que é esperado de uma pessoa de 30.

O quanto pesa tudo isso, o quanto isso confunde a cabeça, o quanto isso faz mal pro corpo e pro coração? E, mais que isso, se aos 36 a vida já está tão cheia de culpas e decepções, como estarei aos 50? Como estaremos todas nós?

Tenho uma grande amiga que disse que morre de medo de virar “vovó garota”, porque ela tem 30 e poucos mas às vezes se sente com uns 15 anos a menos. Ela não se identifica muito com a maioria da idade dela, e eu entendo, porque eu mesma não me identifico tanto com pessoas de quase 37. E aí eu pergunto: e por que raios temos que nos identificar com a maioria? Com o que, no geral, é esperado de nós em tal e tal idade?

Não pretendo terminar com uma mensagem edificante falando sobre a beleza da vida, sobre a plenitude de amar ao próximo, ou sobre os encantos de se estar nesse planetinha. No fim, eu continuo achando que a vida é meio confusa mesmo, e que somos só uma poeirinha na imensidão de tudo.

Mas nós, poeirinhas do Universo, temos que seguir em frente. Nós, poeirinhas, temos que ter a liberdade de fazermos o que quisermos, de acordo com nós mesmas, e não de acordo com o que outros esperam de nós. Talvez o sentido da vida seja esse: não importa como e nem por que, a gente tem que seguir em frente tentando sorrir mais do que chorar, sendo livres e fiéis ao que queremos. Sendo poeirinha do universo, mas empoeirando lindamente tudo pelo caminho.

 

Camila Barbosa

Empresária

Camila é empresária, dona de uma escola de inglês. Mas, acima de tudo, é uma professora apaixonada pela língua inglesa. Gosta de dançar, rir, saber de histórias de pessoas e, claro, de aplicar suas ideias empreendedoras e mirabolantes em sua empresa.