#DeixaElaTrabalhar: um manifesto pra acabar com o assédio e o machismo no esporte

Não é novidade pra ninguém o quanto nós, mulheres, sofremos todos os dias com o assédio, seja ele moral ou sexual e o machismo nos mais variados ambientes de trabalho e pra quem trabalha com esporte não é diferente.

Recentemente acompanhamos o caso da repórter Bruna Dealtry que, enquanto fazia a cobertura da estreia do Vasco na fase de grupos da Copa Libertadores da América, foi assediada por um torcedor que tentou beijá-la durante a transmissão ao vivo. Obviamente inconformada, sem graça e incomodada com a situação, na hora ela apenas disse: “isso não foi legal, isso não precisava, mas aconteceu”. Mais tarde ela fez um desabafo nas redes sociais relatando um pouco do que as mulheres enfrentam todos os dias no ambiente de trabalho:

“Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.”

 

Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé… sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.

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Foi aí que surgiu o manifesto #DeixaElaTrabalhar. 50 mulheres do jornalismo esportivo se uniram para lutar contra o assédio moral, sexual e machismo, enfrentados por elas nas ruas, nas redações e nos estádios. Com o vídeo de divulgação da campanha, os clubes também entraram na onda e mostraram apoio às jornalistas nas redes sociais.

 

 

Até o momento são mais de 800 mil visualizações e sabemos que esta é somente a ponta do iceberg. É incrível como sempre falamos sobre este assunto, sobre como o machismo e o assédio nos agridem, mas continuamos precisando reforçar isso todos os dias porque isso não para.

Precisamos continuar soltando a nossa voz, denunciando os agressores, educando aqueles que acham que é mimimi, pra mostrar que nossa voz pode e deve ser ouvida. Não dá pra permitir que alguém chegue tentando nos beijar no trabalho e simplesmente fiquemos caladas. Não dá pra permitir que nos assediem na rua e deixar por isso mesmo. É falando, é denunciando que seremos ouvidas, que conquistaremos algo tão simples, o respeito, que deveria ser algo natural pra todos. Isso é pedir demais?

 

Redação

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