Há 40 anos no Louvre, brasileira é responsável pela restauração da última tela de Da Vinci

Provavelmente você ainda não tinha escutado sobre Regina Moreira, a brasileira responsável por uma das tarefas mais difíceis e importantes no Louvre, maior e mais famoso museu do mundo em Paris.

Considerada uma das principais na área na França e inclusive premiada pela Assembleia do Senado Francês, ela lidera o time responsável pelas restaurações das obras no local.

Nascida em Salvador, Regina foi estudar belas artes em Madri, mas acabou ingressando em uma escola de restauro. Fez um estágio em Bruxelas, depois foi aceita para a área de restauros dos museus públicos franceses, o que a levou ao Museu d’Orsay, onde restaurou Manet e Monet, e, por fim, ao Louvre.

“Um quadro em bom estado não vem parar nas minhas mãos. A preocupação é prolongar a vida da obra”, diz a brasileira em entrevista à Folha de S. Paulo. “Uns são mais difíceis; outros, mais fáceis. Mas o que fica é a memória da pintura, a mensagem.”

Regina já restaurou De Bellini e Ghirlandaio a Rembrandt, e agora é a vez de Da Vinci, mais exatamente a pintura “São João Batista”, uma tela do início do século 16.

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Uma reavivação destas deve levar cerca de dez meses. “A melhor restauração é a que não se vê, porque não fomos nós que pintamos esses quadros. Estamos a serviço do pintor, vamos interpretar e fazer nosso trabalho de conservação, mas não devemos interferir de maneira que seja visível”, explica Regina.

Para realizar o trabalho ela conta com um time jurídico também, que criam um dossiê da tela, com radiografias e exames físicos, detalhando o estado de cada milímetro do quadro.

“Tudo é controlado, tudo passa por um pente fino”, explica. “Nós somos vários envolvidos, mas a principal executante sou eu porque tenho contato íntimo com a obra.”

O projeto trata-se da remoção da camada de verniz, que ao longo do tempo escurece e torna difcíl ver a obra original, ou seja, é apeas para trazer a obra para sua cor original. “Tudo envelhece”, diz Moreira. “Não podemos rejuvenescer, e as obras também não. São como nossas rugas.”

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Fonte: Folha de S. Paulo

Redação

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