Iza tem um Plano: fazer com que meninas e mulheres negras se sintam representadas na TV e na música

Isabela Lima tem 27 anos e está dando o que falar no mundo da música. Mais conhecida como Iza, a cantora também compõe e é uma publicitária de mão cheia. Nascida e criada em Olaria, subúrbio carioca, foi morar aos 6 anos em Natal, no Rio Grande do Norte, quando teve seu primeiro contato com a música e começou a cantar no coral da igreja. Ainda criança, gostava de fazer performances para a família e vizinhos, era a veia de artista já gritando sem que ela soubesse.

Iza começou a se apresentar aos 14 anos em retiros e paróquias, depois passou a se apresentar também em outros eventos, mas ainda não acreditava que a música poderia ser sua profissão, por isso, foi cursar Publicidade e Propaganda na PUC Rio. Depois de formada, trabalhou como editora de vídeos, mas a música não parava de mexer com seu coração. Só depois de muito tempo e de receber incentivos e elogios ao seu talento, à sua voz, de amigos e da família é que Iza resolveu fazer alguma coisa pra tentar mudar sua história e fazer o que ama. Então, criou um canal no YouTube, onde publicava vídeos cantando músicas de outros artistas em quem ela se inspirava como Negra Li, Luciana Mello, Lauryn Hill, Tina Turner, Janet Jackson, Diana Ross, Rihanna, Beyoncé, Whitney Houston e Stevie Wonder. Foi aí que a Iza explodiu!

A cantora fechou contrato com a Warner Music e há dois anos vem fazendo sucesso na música e ocupando espaços. Agora, ela também irá apresentar o programa Música Boa Ao Vivo, no Multishow, sendo a primeira mulher negra a apresentar um programa na emissora, o que a deixa muito orgulhosa de ter a oportunidade de estar nesses lugares, onde tanto desejava estar: “Apresentei o TVZ por duas vezes e num dos intervalos, eles me convidaram e fiquei muito feliz. Já assistia antes e estou tentando ser eu, com o desafio de não me emocionar no palco porque estou realmente muito feliz em fazer parte disso, resultado de muito trabalho. Estou com medo até agora, mas é aquilo: não espere o medo passar senão você não faz nada”.

Iza também fala sobre empoderamento e diz que sempre foi uma mulher decidida, que sabe o que quer. Ela diz que não liga para o que os outros falam sobre sua aparência e que o que vale mesmo é ela se olhar no espelho e se sentir bem:

“A gente tem muito essa história do empoderamento. Encontrei outras crespas e cacheadas, mas tem uma coisa chata que é ficar cagando regras no comportamento alheio. Se eu quiser chegar aqui loura, chegarei”.

 

 

Como a cantora tem ganhado cada vez mais destaque com sucessos como Pesadão, que gravou em parceria com o cantor Falcão, e agora Ginga, que tá na boca do povo. Iza ainda diz que com o sucesso, as pessoas sempre tentam fazer comparações entre ela e a Anitta, por exemplo, mas ela não vê problema nisso e diz que suas preocupações são outras: “Não temo. A mídia tem mania de comparar mulheres o tempo inteiro. Ela é a nova fulana ou a antiga fulana. Eu e Anitta nos respeitamos muito, aliás, todas nós, as cantoras do pop, estamos muito mais preocupadas em abrir portas para outras meninas“.

Quando falamos em protagonismo feminino, a cantora dá uma lição de amor próprio e autoestima, que são importantes pra você ir além, fazer todos os seus planos acontecerem e ainda servir de inspiração pra outras mulheres: “Acho lindo que existamos todos nós, que a gente seja diferente. O empoderamento está para empoderar e não cagar regras na cabeça dos outros.”

“A partir do momento que eu me amo, que me permito, visto o que quero, posto as fotos que quero, e que as pessoas se sentem empoderadas por isso, me sinto empoderada e feminista, também.”

Ela ainda completa falando sobre como foi importante se aceitar e acabar com os padrões que a sociedade impõe, especialmente às pessoas negras:

“Falo que sou feminista e sobre muitas de nós ficarmos julgando umas às outras. Às vezes as meninas se descobrem crespas e acho incrível que passamos por esse movimento maravilhoso. Alisei meu cabelo a vida inteira, sem conhecer meu cabelo crespo, achando que meu cabelo crespo era uma coisa errada. Alisei por muito tempo sem me dar a chance de me olhar no espelho com meu cabelo crespo. Vejo muitas meninas negras apontando outras que estão alisando os cabelos. E, ora bolas, pessoas, somos livres! Eu acho meu cabelo crespo incrível e também acho que fico maravilhosa de cabelo liso. E vou alisar e ponto final. Se eu quiser pintar de louro, eu posso, porque eu sou livre e é assim que a gente tem que pensar. Temos que respeitar o querer do outro.”

Quando falamos sobre fazer planos, não há dúvida de que a Iza tem vários. Afinal, sua carreira está só começando e ela tem muito espaço ainda pra ocupar. Mas um, em especial é o que vem à tona mais rapidamente e é algo que a gente fala sempre: REPRESENTATIVIDADE. Ela diz como é importante poder representar negros na tv, na música, tendo destaque em sua área de atuação e que isso pode servir de inspiração pras meninas e meninos um dia, assim como ela buscou essa inspiração quando criança:

“Sempre falo que representatividade importa pra caramba. Eu não me via quase em lugar nenhum lugar quando era criança, não estava nos brinquedos, nos comerciais, eu não vislumbrava esses lugares e tenho certeza de que muitos meninos e meninas se sentem representados.”

Ela ainda terminou deixando uma dica pras mulheres ocuparem os espaços que quiserem: “A gente é livre e tem total liberdade. É muito importante que a gente não seja preconceituoso, não se feche, que esteja sempre aberto a novas oportunidades e experiências, não se negue, não rechace o outro, e, ao mesmo tempo, que a gente se entenda.”

Iza é maravilhosa mesmo, né, mores? A gente quer vê-la ocupando cada vez mais espaços, mostrando seu talento, sua força, representando e levantando outras mulheres que, assim como ela, desejam fazer sucesso, onde quer que seja.

Tem uma história inspiradora pra contar? Manda pra gente no [email protected] que a sua história pode aparecer aqui!

 

 

 

Redação

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