Mulher é impedida de amamentar seu bebê em terminal de ônibus, no ABC paulista

Imagine você na seguinte situação: deu à luz há pouco tempo, está ainda tentando se acostumar à rotina de ter um bebê em casa, noites sem dormir direito, choros, nova rotina, recuperação do parto… não é fácil, né? E quando precisa sair com o bebê, então? Malinha com roupinhas, fralda, cuidado pra não esquecer nada, lembrar de usar uma roupa confortável pra amamentar o bebê quando precisar, sutiã de amamentação… ufa, quanta coisa pra pensar…

Você está na rua, o bebê chora, está com fome… qual sua reação? Obviamente tirar o peito e amamentar esse ser tão pequenino e tão dependente de você. Momento único de mãe e filho. Para algumas pessoas, atentado violento ao pudor.

Não, mores, vocês não leram errado. Foi exatamente isso que aconteceu com Thais Santina, de 21 anos, na última terça-feira. Ela saiu de casa pela primeira vez sozinha, com seu bebê de um mês, para levá-lo à consulta com o pediatra. Voltando pra casa, no terminal de ônibus de Santo André, na Grande São Paulo, Thais colocou o bebê para mamar em seu seio e logo percebeu que pessoas a observavam, como se estivessem espantadas com o que viam.

“Sentei no ponto de ônibus, e depois de olhares de reprovação, logo chegaram três homens que trabalham no terminal dizendo que eu não podia tirar o peito. Ao perguntar o motivo, disseram que era atentado violento ao pudor e, que se eu não obedecesse, iriam chamar a polícia”, disse Thais.

Já bastante constrangida, ela ainda sugeriu que ela saísse do local do ponto para amamentar o bebê em outro lugar e depois voltar para esperar seu ônibus e ir pra casa, algo que é permitido ao passageiro, em caso de alguma necessidade. Porém, os guardas não permitiram dizendo que se ela saísse não poderia mais voltar. Em meio a confusão, o ônibus dela chegou e Thais foi praticamente escoltada até o coletivo pelos três seguranças. Ela diz que pediu o nome deles, que não falaram, porque disseram que sabiam que ela iria denunciá-los.

 

 

Sua irmã, Janaina, é consultora de amamentação e doula, obviamente ficou furiosa com a situação e foi ela quem fez a denúncia nas redes sociais, que gerou uma grande repercussão. Thais diz ainda, que se não fosse pelo apoio da irmã, provavelmente não se sentiria mais encorajada a seguir com a amamentação.

 

Então vamos ao caso.Como consultora em aleitamento, mãe, mulher, irmã fico estarrecida que tenhamos que passar por…

Posted by Janaina Santina Paulino Itikawa on Tuesday, July 10, 2018

 

Por nota, a Prefeitura de Santo André diz que “não existe nenhuma lei municipal ou orientação que imponha qualquer restrição à amamentação em locais públicos pela cidade. A administração, por meio da SAtrans (autarquia que gerencia o transporte municipal), já cobrou um posicionamento da empresa concessionária (Suzantur) sobre o ocorrido no Terminal da Vila Luzita.”

Vale lembrar que a lei estadual 16.407/15 garante o direito ao aleitamento materno em locais públicos. Nenhuma mulher deve ser exposta a uma situação de coação e constrangimento apenas por querer alimentar seu filho.

Mores, menos, estamos em 2018 e, desde que o mundo é mundo mulheres amamentam. Parem de tentar mostrar que isso é errado, porque não, não é! É o ato mais sublime de amor e uma mágica incrível do corpo humano.

Há que se fazer valer a aplicação da lei e punir qualquer um que coloque qualquer mulher em uma situação de constrangimento como essa. Não é admissível que tentem privar uma mãe e seu bebê de um direito básico como este. Vai ter muita mulher com o peito de fora amamentando seu filho, sim! E se reclamar, tem lei que nos apoia e tem muita mulher pra ajudar a engrossar o coro. Somos mulheres, mães, temos nossos direitos garantidos e não vamos ficar caladas.

Thais, é por você e por todas as mulheres! Vamos juntas!

Kelly Sá

Amante da arte, das palavras. Adora crianças, cachorros e gatos. Formada em Letras, adora trabalhar com conteúdo, fazendo das palavras o seu brinquedo preferido.