Não é você, sou eu

Sabe quando o cara termina e diz “não é você, sou eu?” E você sempre acha que é papinho, que ele arrumou outra, que você é uma chata de galocha e ele não aguentou, que você sabia que não devia ter falado que a mãe dele é chata ou soltado pum sem querer enquanto assistia uma série boba.

Pois bem, venho do seu futuro e trago novidades: algumas vezes (ouso dizer que na maioria) é ele mesmo.

Você sempre se culpa, sempre pensa muito sobre o que poderia ter feito diferente ou como poderia ter mudado pra salvar um relacionamento. Acha que se o cara não gosta de você, ninguém vai gostar. Que você é feia, chata, burra, implicante, maluca. Que precisa emagrecer uns quilinhos ou colocar silicone pra ficar mais bonita. Que seu cabelo é estranho mesmo, melhor pintar ou alisar ou cachear. Que talvez você fale demais e devesse ficar mais quieta. Que você é muito politizada, ou que não manja nada de política.

Olha só, não é nada disso. Talvez você possa mudar algumas atitudes suas, claro. Dá pra ser menos crítica ou mais organizada com grana. E dá pra mudar seu corpo, malhar ou colocar silicone. E isso pode ou não fazer você mais feliz. Mas não é isso que vai segurar um relacionamento. Não é assim que a gente garante a felicidade com o outro. Não existe fórmula mágica. A culpa, algumas vezes, é 100% da outra pessoa.

Ele pode estar numa fase ruim emocionalmente, ou pode ter se apaixonado por outra pessoa. Pode estar a fim de ficar sozinho pra poder pegar geral ou pra fazer um curso de meditação transcedental. Ele pode simplesmente deixar de te amar em algum momento. E tudo isso pode acontecer sem que você esteja diretamente envolvida ou seja culpada por alguma coisa.

E ficar em casa arrancando os cabelos e pensando no que você deveria mudar, pense em quem você é. No que faz você feliz e onde você encontra sua alegria. Quais são as atividades que te fazem bem? O que bota um sorriso na sua cara? O que você gosta no seu corpo e em sua mente? Pense nas coisas que fazem de você quem você é, e avalie: nesse relacionamento, eu fui eu mesma? Fui fiel à minha essência? Fui verdadeira comigo mesma?

Se a resposta for não: amiga, melhore. Não tente ser uma pessoa diferente pra agradar ninguém. A primeira pessoa a quem você deve respeito é você mesma. Combinadas?

Agora, se a resposta for sim, não foi você. Foi ele – ele que não estava preparado pra ter um relacionamento com você, com seus defeitos e qualidades, com o conjunto de coisas que fazem de você quem você é. E aí não tem jeito mesmo. Deixa ele ir, segue o jogo, toma um banho quentinho e passa um creme cheiroso, bebe um suco de frutas bem gostoso. E seja você amanhã, de novo.

Gabi Bianco

Publicitária

Paulistana que não fala orra meu, mãe de gatos, nerd, publicitária, porém limpinha. Gosta de passear, cozinhar, ler, escrever e descobrir séries de tv esquisitas.