O que fazem as empresas para reduzir a disparidade de gênero no mundo da tecnologia?

Existe um fato particular e preocupante: de acordo com os dados de grandes empresas tecnológicas, as mulheres representam apenas 30% da força de trabalho em áreas relacionadas à engenharia e à tecnologia. Esta desigualdade é conhecida com o nome de disparidade de gênero.

No entanto, em alguns casos, a taxa de participação feminina no setor é muito menor. Por exemplo, apenas 6% das mulheres fazem parte do GitHub, um dos principais  sistemas de código aberto para programadores. Apesar da crescente consciência desta lacuna na indústria da tecnologia, a disparidade de gênero continua sendo a mais profunda em décadas.

Breanden Beneschott, Co-Founder da Toptal, uma plataforma de programadores e desenhadores de software freelance, explica:

“Homens e mulheres são igualmente inteligentes, estatisticamente falando. Se são selecionadas as dez pessoas mais brilhantes do mundo, provavelmente, cinco serão homens e cinco serão mulheres. Se sua equipe não tem essa equidade de gênero, talvez pode que você não tenha a melhor equipe que possa ter”.

Em 2013, a engenharia da Pinterest, Tracy Chou deu um olhar honesto para a baixa representação das mulheres em sua empresa, o que ajudou a incentivar a outras companhias de tecnologia a publicar seus dados demográficos. Estas empresas reconheceram a forte disparidade de gênero e aí surgiram  iniciativas de recrutamento para preencher essa lacuna. No entanto, os esforços iniciais mostraram que a contratação de engenheiras por si só não adianta.

Seguindo essa linha, Etsy, um site de ecommerce decidiu em 2011 fazer do recrutamento de mulheres na empresa um valor fundamental. Um ano mais tarde, apenas um dos 40 novos engenheiros era do sexo feminino. A escassez do resultado não foi devido à mau recrutamento de funcionários, mas sim a falta de engenheiras no mercado de trabalho, explicou a CTO da Etzy, Kellan Elliott-McCrea.

A raiz do problema é muito mais profunda e começa quando as garotas ainda estão no ensino fundamental. SegundoGirlsWhoCode, 74% das alunas expressam interesse em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (os chamados setores STEM); No entanto, ao chegar ao ensino médio, apenas 0,4% delas planejam estudar informática ou ciências afins ao entrar na faculdade. Ou seja, que a medida que as mulheres vão crescendo, diminui o interesse nestas áreas. A inversão desta tendência é um bom lugar para começar.

Após dos esforços de recrutamento falidos, Etsy mudou de estratégia. Eles começaram a investir em educação para as mulheres em tecnologia através de diferentes programas de estudo como Etsy Hacker, ou patrocinando iniciativas tais como  Recurse School, CodeNow o GirlDevelopIt.

Da mesma forma, a Intel anunciou sua Diversity in Technology Iniciative. Trata se de uma medida que em associação com GirlsWhoCode fornece suporte educativo a um número significativo de mulheres jovens. O CEO da Intel, Brian Krzanich disse que em breve começaram com orientação nas escolas primárias.

Por seu lado, a Toptal também tomou medidas para educar a potenciais engenheiras com as Bolsas de Estudo Toptal  para Mulheres Programadores. O programa irá premiar a 12 aspirantes a engenheiras de todas as idades e formação acadêmica concedendo US$ 5.000 para cada vencedora e um ano de orientação semanal personalizada por um programador sênior Toptal. Além disso, desde a empresa procuram aumentar a representação das mulheres em sites de código aberto como GitHub, exigindo as participantes do programa fazer contribuições a estes, publicando suas próprias experiências.

Alcançar a eqüidade de gênero na tecnologia, não é um caminho fácil ou rápido. Leva a promoção a longo prazo de iniciativas educacionais e corporativas, por parte de homens e mulheres. Também requer o envolvimento e apoio dos pais, para que eles incentivem a suas filhas a não desistirem quando elas começam seus cursos de engenharia ou disciplinas similares.

Redação

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