Os 10 “black movies” mais esperados de 2019

“Corra”, “Straight Outta Compton: A História do N.W.A”, “Um Limite Entre Nós”, “Estrelas Além do Tempo”, “Selma” e o grande vencedor do Oscar, “Moonlight”. Os lançamentos sequenciais de todos esses filmes e muito mais ajudaram a reviver o que os críticos do cinema – pelo menos aqueles com consciência de raça – chamam de Black Movies: filmes dirigidos e protagonizados por pessoas negras e que, consequentemente, carregam uma grande carga de representatividade para a comunidade.

 

Não vou mentir: o medo de ver esta onda de grandes filmes negros se dissolver e ser vencida pelo domínio branco em Hollywood ainda é bem constante.

 

Mas o ápice desse momento se manifestou no lançamento de Pantera Negra, no ano passado. Prestes a completar um ano, o filme ainda dá o que falar, principalmente com a indicações ao Globo de Ouro – pena que não levou nenhuma ):

 

Que tal então fortalecermos esses profissionais e garantir que este deixe de ser apenas um “momento”, mas sim uma categoria duradoura nos cinemas? Dá uma olhada na lista com os principais lançamentos do ano e planeje-se para não perder nenhum.

 

  1. Green Book – O Guia (24 de janeiro)

 

O ano é 1962 e Tony Lip (interpretado por Viggo Mortensen) se vê desempregado após perder sua discoteca em Nova York. Ele é indicado para o trabalho de motorista de Don Shirley, um famoso pianista negro (interpretado pelo ganhador do Oscar Mahershala Ali). A história é real e contada no filme “Green Book – O Guia”, dirigido por – pasmem – Peter Farrelly, consagrados no gênero besteirol americano, por “O Amor é Cego”, “Quem vai ficar com Mary?” e Debi & Loide” e muitos outros.

 

Porque está nessa lista? Na primeira tentativa de sair de sua zona de conforto, Farrelly conseguiu contar uma boa história sobre estereótipos raciais e identidade negra nos EUA. A prova disso são os resultados no Globo de Ouro. O filme foi vencedor das categorias “Melhor Filme Cômico ou Musical” e “Melhor Roteiro de Cinema”.

 

Vale também por contar com o sempre incrível Mahershala Ali, que levou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante por Green Book e é forte indicado a levar mais uma estatueta do Oscar pelo mesmo papel. Vamos torcer!

9. Sorry to Bother You (20 de janeiro)

Vai ter negro protagonizando filme de ficção científica! A trama de Sorry to Bother You, trás uma versão alternativa de Oakland, onde o atendente de telemarketing Cassius Green (interpreado por Lakeith Stanfield) descobre uma chave mágica para o sucesso profissional – e isso o leva para um universo macabro.

 

Green terá que lidar com algumas questões morais, como a luta de seus amigos ativistas contra as práticas abusivas e quase escravocratas empregadas no trabalho. Em meio a todo esse turbilhão, ele acaba descobrindo alguns segredos obscuros de seus chefes, que o colocarão em uma situação onde ele deve se posicionar decisivamente.

 

  1. Little (12 de abril)

 

A típica comédia romântica americana direcionada para o público feminino. Mas dessa vez, as mulheres não são “a melhor amiga da protagonista”. Elas são as protagonistas. O mais curioso sobre o lançamento é que a diretora Tina Gordon Chism se jogou completamente na ideia da atriz de apenas 14 anos, Marsai Martin, que ficou conhecida por sua atuação em Black-Ish.

 

“Little” apresenta uma chefe abusiva (vivida por Regina Hall) que vê o jogo virando para o lado dela quando acorda e percebe que voltou a ser criança (Marsai Martin, é claro). E quem vai colocar a pimentinha nos trilhos é a assistente que sofreu abuso da chefe (vivida pela estrela da HBO, Issa Rae).

 

  1. Simonal (19 de setembro)

 

A voz espetacular e o domínio de palco excepcional, de Wilson Simonal serão lembradas no filme-biografia do cantor brasileiro – desde como saiu da pobreza até suas apresentações para grandes plateias do Brasil. Também fazem parte da vida de Simonal – estarão on filme – a ostentação de suas posses e o envolvimento com muitas mulheres, um caminho ainda hoje trilhado por muitos homens negros de sucesso em nosso país.

 

Como se a semelhança do ator Fabrício Boliveira com Simonal já não fosse impressionante, o filme também brilha na caracterização para a época de sucesso vivida pelo cantor.

 

Poster do filme “Simonal”

 

  1. Homem-Aranha no Aranhaverso (em cartaz)

 

Um presente para quem é negro e nerd: Miles Morales (com voz do astro de The Get Down Shameik Moore) é um jovem negro do Brooklyn que assume os poderes e as tarefas de ninguém menos que Peter Parker, o Homem-Aranha, após a morte do herói de Nova York. Mas Miles descobre que ainda pode conversar com seu ídolo e muitos outros heróis-aranhas que existem em outras dimensões – um Aranhaverso!

 

O filme contou com um trio de diretores – Peter Ramsey, Bob Persichetti, Rodney Rothman – que garantiram muitas aparições de Stan Lee – o criador do Homem-Aranha e dono da Marvel – que faleceu no fim de 2018.

 

Mas o maior destaque é, sem dúvidas, o tão esperado Homem-Aranha negro (e de descendência latina) dos quadrinhos tomando vida na telona! Miles Morales apareceu antes no jogo do Homem-Aranha para PlayStation 4 e agora, apesar de ter ficado de fora dos filmes do universo de Vingadores, ganha seu momento protagonista.

 

  1. Creed II (24 de janeiro)

 

O filme já é um sucesso lá fora, mas chega ao Brasil somente em janeiro de 2019. Logo, ainda dá tempo de ver mais uma vez, Michael B. Jordan (o Killmonger de Pantera Negra) brilhando na telona, dessa vez, retornando ao papel de Adonis Creed.

 

Como é mostrado no primeiro filme, Creed se passa no universo de Rocky, série de filmes protagonizada por Sylvester Stallone nos anos 80. Em Creed II, o ator se despede de seu personagem icônico dos cinemas, tornando o filme ainda mais emocionante. Mas a verdade é que a presença de Jordan na nova franquia já a consagrou como contendo black movies não é mesmo?

 

  1. O Ódio que Você Semeia (em cartaz)

 

Esta seria uma comédia romântica adolescente, como qualquer outra, se a personagem não fosse Starr Carter (interpretada por Amandla Stenberg), uma adolescente negra de dezesseis anos que mora no gueto e divide sua vida entre os amigos do seu bairro e da escola de elite em que estuda.

 

Carter presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco e é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Ela passa a sofrer uma série de chantagens, além de questionamentos sobre identidade e seu lugar de pertencimento.

 

O filme é baseado no best-seller de Angie Thomas, que foi muito além do seu público-alvo em 2018. A versão para a telona é dirigida por George Tillman, Jr. e conta ainda com grandes nomes como Issa Rae, Russell Hornsby, Anthonie Mackie e Commom.

 

  1. Se a Rua Beale Falasse (7 de fevereiro)

Este é o novo filme de Barry Jenkins, o diretor de Moonlight, e será baseado no célebre romance de James Baldwin, que conta a história de Tish (interpretada por Kiki Layne), uma grávida do Harlem, que luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e racista a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê.

 

Com o noivo na prisão, Trish tem que enfrentar ainda as brigas entre as famílias do casal à medida que uma série de emoções intensas invadem este drama.

Poster do filme “Se a rua Beale falasse”

 

 

  1. O Rei Leão (19 de julho)

 

Além de trazer de volta um super clássico dos anos 90 em versão live action, 2019 também nos abrilhanta com um elenco majoritariamente negro, composto por, entre outros nomes, Donald Glover (Simba), James Earl Jones (Musafa) e ninguém menos que BEYONCÉ (Nala). Já podemos imaginar que musical incrível será apresentado no cinema, não é?

 

  1. Us (15 de março)

 

Essa é a minha principal aposta para este ano. “Us” (ou “Nós) é mais um terror dirigido e roteirizado por Jordan Peele. O diretor de “Corra!” agora apresenta uma mãe (a vencedora do Oscar Lupita Nyong’o) e um pai (interpretado por Winston Duke) que levam seus filhos para uma casa de praia, com a intenção de descansar ao lado de amigos. Ao ritmo que a noite avança, a serenidade deles vira tensão e caos quando alguns vizinhos decidem fazer uma visita. Será que vem mais Oscar para Peele por aí?

 

E então, gostou das indicações? É claro que, entre estas apostas, outros diretores, roteiristas e atores podem nos surpreender ao longo do ano – e espero ansiosamente por isso!

 

E, enquanto você espera por esses lançamentos, criei uma lista bônus com filmes importantes de 2018 que você pode ter perdido:  

 

  1. Negritudes Brasileiras

O documentário Negritudes Brasileiras propõem um formato diferente: 100

% gratuito online, lançado nos canais de Nátaly Neri (Afros e Afins) e Murilo Araújo (Muro Pequeno). O documentário nasceu do trabalho que eles realizaram como embaixadores do programa Creators for Change – do YouTube internacional, com apoio do YouTube Brasil – e traz entrevistas de Joice Berth, Aline Ramos e outros grandes nomes da militância brasileira, falando sobre questões identitárias que ainda hoje são entraves sociais.

  1. Infiltrado na Klan

 

Mais uma obra de Skype Lee para se amarrar. O filme conta a história real de Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, que, no fim dos anos 80, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local para investigar o grupo.

 

Stallworth se comunicava com os outros membros do grupo por meio de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente, enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

 

  1. Pantera Negra

 

É sempre bom tirar um tempinho para conhecer a história de T’Challa e Wakanda, finalmente explorada no universo Marvel. Depois de Guerra Infinita, este é um dos filmes mais aclamados da franquia gigantesca sobre heróis. E não somente pela questão da representatividade, mas também por ser um excelente filme de herói. Inclusive, primeiro filme de herói a ser indicado ao Oscar.

Karoline Gomes

Feminista negra interseccional, jornalista de formação e pós-graduanda em Cinema e Linguagem Audiovisual. É fundadora do projeto sobre endometriose e saúde da mulher, EndoMapa e co-diretora do Entreviste um Negro. Passou por veículos como MdeMulher, Finanças Femininas, Modefica, Think Olga e outros, sempre trazendo conteúdo com viés de gênero e raça.