Para o Clube de Criação, representatividade importa?

Você se vê representada na propaganda hoje? Como mulher, como negra, como trans, como lésbica? Acha que este mercado é machista, elistista? Predominantemente masculino?

Bem, anualmente temos um prêmio para as melhores peças de propaganda criadas pelo mercado publicitário, que é entregue pelo Clube de Criação e, além da premiação que é composta por um júri selecionado pela entidade, acontecem diversas palestras.

O porém de tudo isso é que o Clube de Criação não é inclusivo, não exibe nas premiações a representatividade que diz apoiar. Ainda falta muito pra vermos isso acontecer.

Só pra ter uma ideia, até que houve uma crescente no número de participação de mulheres no Clube de Criação do ano passado pra cá. Em 2017, contamos com 12 mulheres em um júri com 89 pessoas e, neste ano pulamos para 30 mulheres em um júri de 80 pessoas. Melhorou? Pouco, ainda falta muito.

Quando falamos de raça, então, a coisa piora muito. Para as palestras, de um total de 169 palestrantes, 17 são negros. Desses, apenas 8 não vão falar sobre temas como preconceito, periferia ou diversidade, como se fossem somente esses o assuntos que os fazem ter lugar de fala.

Voltando a falar do público feminino, apenas 60 são mulheres. Quase 1/3 do total de palestrantes.

Mais uma vez, pergunto: você se sente representada?

 

 

Não é supresa esse número diante de um espaço que é majoritariamente masculino e branco. Elitista e machista. Praticamente não existe espaço para as mulheres, os pobres, os negros, porque a régua está sempre no mesmo nível. Contratando sempre pessoas formadas pela Universidade X, indicadas por fulano, que tenham um padrão Y.

Estamos cansadas de ver isso acontecer e pouco ser feito para que essa realidade mude. O festival do Clube de Criação (CCSP), que acontece no próximo fim de semana, de 22 a 24 de setembro, não representa a maior parte da população. Representa, há 43 anos, homens brancos elitistas.

Queremos ter espaços, queremos ter poder de fala, queremos que nossas vozes sejam ouvidas e queremos nos sentir representadas. Não vamos continuar assistindo a isso tudo caladas. A mudança começa pelas agências, que devem colocar mais mulheres e negros nos altos cargos.

Negros e mulheres com talento pra ocupar esses espaços, têm, sim, aos montes. Mas, a maioria de homens brancos ainda tem dificuldade em permitir que a gente possa mostrar do que é capaz.

 

 

 

Kelly Sá

Amante da arte, das palavras. Adora crianças, cachorros e gatos. Formada em Letras, adora trabalhar com conteúdo, fazendo das palavras o seu brinquedo preferido.