Por que Zuckerberg se encontrou a fundadora de um grupo secreto do Facebook para mulheres nigerianas

Em meados de 2015, várias mulheres nigerianas criaram um movimento no Twitter para destacar algumas das questões machistas em seu país.

Com a hashtag #BeingFemaleInNigeria, o assunto viralizou, com muitas outra mulheres, infelizmente, relatando muitos casos de sexismo e discriminação principalmente dos familiares. Mas esse movimento no Twitter logo desapareceu.

No entanto, no Facebook, essas conversas continuaram em curso, principalmente graças a “Feminino na Nigéria” (FIN), um grupo privado para mulheres, que agora conquistou mais de 1 milhão de participantes.

O FIN destina-se a ser um espaço seguro sem julgamento onde as mulheres nigerianas discutem essas questões diariamente. Elas compartilham experiências, incluindo discriminação de gênero, abuso doméstico, violência e estupro.

O FIN foi iniciado por Lola Omolola, uma feminista, com ascendência nigeriana, mãe de dois meninos e moradora de Chicago.  Omolola diz que o seqüestro de mais de 200 meninas no nordeste da Nigéria a inspirou a começar o grupo.

Desde então, tornou-se um “lugar seguro, para uma mulher que tem algo a dizer, havia mulheres que haviam sido abusadas há 40 anos e não tinham contado a ninguém. Ninguém deveria viver assim, disse Omolola.

Embora tenha construído uma grande comunidade em torno de questões femininas na Nigéria, Omolola não aceita pedidos de anunciantes, pois não quer “monetizar histórias de mulheres”.

Para preservar a sensação familiar do grupo, apesar da sua incrível participação, novos membros só podem ser adicionados por referências de mulheres que já fazem parte do grupo.

Além disso, para garantir que todas possam se expressar sem medo de respostas preconceituosas, as usuárias que publicam comentários negativos e de julgamento são removidas do grupo.

O trabalho do grupo FIN foi recentemente recomendado pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, que  se encontrou com Omolola para discutir como ajudar a construir comunidades melhores como a FIN no Facebook.

 

Liliane Ferrari

Jornalista, consultora e professora de Mídias Sociais do UOL, Escola Cuca, Ecommerce School, Quero Ser Social Mídia, Plugcitarios, e eduK. Apontada como uma das 10 mulheres mais influentes da internet brasileira pelo iG. Com passagem por empresas como Petiscos, LiveAd, Editora Trip, Editora Alto Astral, TV Globo, Time4Fun, C&A, O Boticário, Colgate, Santander, Facebook, entre outras.