Quando um não quer, dois não brigam

 É tão difícil entender a cabeça de um ser humano, de um homem então, piorou. Eles pensam muito diferente de nós mulheres. Que também não somos fáceis. Como me disse uma amiga: “as mulheres sangram, quer coisa mais complicada que isso?” Enfim, a incompreensão está por todas as partes.

Não quero levantar nenhuma bandeira feminista, sou contra essas coisas. Mas tive uma experiência amorosa (se é que podemos chamar assim), com um homem que era muito fora do padrão e que me deixou muito intrigada.

Conheci o Guto na balada pra variar, rs. Já me disseram que isso não presta. Que amor de balada é igual amor de praia: não sobe a serra. Como até hoje não conheci ninguém legal na fila do banco, muito menos na padaria, então uso as armas que tenho mesmo. Apesar do universo conspirar contra esse tipo de relação, ele não foi só um “night stand”. Foram várias. Talvez porque segurei as pontas com relação ao sexo no começo, só que não acho que dessa vez isso foi determinante. O papo fluía e o nosso namorico rendeu.

Ele se demonstrou extremamente carinhoso e muito eficaz na cama. Confesso que já tive relacionamentos em que só de encostar, a coisa já pegava fogo. Mas com ele, foi muito legal também, não posso reclamar. O entrosamento entre nós era muito bacana com relação aos diversos assuntos da vida, e o sexo se tornou complementar. Não pensem que não rolava muito, que a freqüência era boa. Ele tinha uma pegada que me tirava do prumo! Sempre começava com um ar mais selvagem e depois ia suavizando.

Numa noite dessas, em que nos encontramos num bar, transamos no meio da rua. Foi uma das experiências mais surreais que já tive, até porque acreditem, fiquei super envergonhada no começo. Ele me puxou num canto escuro, perto de onde o carro estava estacionado, me encostou no muro e começou a me beijar e a me tocar ao mesmo tempo. Apesar daquela sensação de pernas bambas, eu pedi para ele parar, com medo que aparecesse alguém. “Laura, são 4:30h da manhã. Nem o flanelinha tá aqui mais. Relaxa e aproveita!” – foi o que ele me disse, fazendo uma inspeção em todo o meu corpo. Mesmo numa posição um tanto desconfortável, foi incrível como o tesão tomou conta de mim. Para facilitar a vida dele, eu estava de vestido, e eu não resisti àquele homem que estava completamente aceso. O medo de sermos flagrados e todo aquele fogo juntos resultaram num orgasmo alucinante.

Com tantas outras experiências, comecei a achar que aquilo ia dar em namoro. Até que um dia, ele mudou da água para o vinho. Acho que ele sentiu a mesma coisa que eu, de que estávamos começando a mudar o nível do relacionamento. Porém, ele preferiu não encarar. Começou a ficar evasivo nas nossas conversas e depois sumiu mesmo. Parou de ligar e não me atendia mais. Eu sofri e chorei no íntimo do meu ser, pois odeio barracos. Sabia onde ele morava, mas jamais quis passar na porta, afinal era ele quem não queria mais me ver. Para mim, quando um não quer, dois não brigam.

Até que depois de uns dois meses, o encontrei no bar em que costumávamos freqüentar juntos. Vi que ele ficou me olhando, me cumprimentou de longe e claro, que naquela altura do campeonato, fiquei na minha e parti para outra.

 

Redação

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