Sem anestesia

O dia a dia da gente cansa, estressa, desanima. Se está chovendo, reclamamos que temos de ir trabalhar debaixo de chuva; se faz sol, pensamos – “que saco, poderia estar na praia”. E assim fazemos nossas caminhadas ou percursos motorizados rumo ao nosso cotidiano, seja ele dentro de um escritório, na rua, num hospital ou qualquer outro lugar. Nosso pensamento viaja em paralelo ao trajeto que fazemos. Às vezes, chegamos até a ficar fora do ar, vagando naquela imagem, rindo à toa de uma lembrança qualquer, não é mesmo? Isso pode nos fazer relaxar e assim sonhamos com pessoas, lugares e sentimentos que já ocorreram ou que gostaríamos que acontecessem.

Porém, a realidade é aquela que nos cerca no presente: com ou sem chuva, com ou sem praia, pessoas queridas, sentimentos bons ou ruins. E, diga-se de passagem, nem sempre é uma realidade agradável. A rotina das pessoas pode ser mesmo bem massacrante. Sonhos não realizados, salários não satisfatórios, gente com quem nunca supúnhamos que teríamos de conviver. A mesquinharia anda solta na cidade, a tristeza domina muitos espaços, e a mãe da gente adverte: reze o credo antes de sair por aí.

E ela tem razão de nos pedir para rezar, afinal, nem bem colocamos o pé para fora de casa e já nos deparamos com a loucura do trânsito, que é um desafio por si só. Pedestres correm o risco de serem atropelados; os que vão de carro têm de suportar a falta de educação e imprudência alheia; no metrô, o empurra-empurra já se tornou fato corriqueiro; nos ônibus, temos de ser equilibristas para pararmos em pé mesmo depois de uma freada daquelas.

A resposta a todos estes estímulos negativos também não será lá muito positiva, certo? Pois é nesse ponto que gostaria de tocar. Percebo que existem dois caminhos a serem percorridos: um é automático, uma resposta anestesiada a tudo isso. Esta alternativa faz com que os indivíduos se tornem cada vez mais rudes, indiferentes e infelizes. E o pior é que não se dão conta de nada disso. O primeiro sintoma é a não interação com o outro. Surpreendo-me com a quantidade de pessoas que não respondem a um simples bom dia. Não fazem por mal, mas a indiferença é fruto de uma má resposta àquilo que se vive. Desta forma, alimentam o que faz mal. A partir desta atitude, estão ajudando a piorar um cotidiano que se torna cada vez mais insuportável.

Por outro lado, um grupo de pessoas luta contra essas atitudes automáticas. Tenta não contaminar o outro com seu estresse e coloca a cabeça para funcionar em vez de responder hipnoticamente aos estímulos negativos.

Sabemos que é difícil não ter estresse no mundo de hoje, não é? Mas não precisamos transformá-lo numa corrente. Pelo contrário, somos capazes de invertê-lo, de dizer não a essa anestesia de ser um medíocre por pura e simples falta de se exercitar.

Por isso, preste atenção no que acontece ao seu redor e perceba como as pessoas estão extremamente infectadas pelo vírus do “é-normal-ser-estúpido”. Seja o primeiro no dia a quebrar a corrente e, para isso, não é

Redação

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