UM ANO SEM MARIELLE

Quem era Marielle Franco

Marielle Franco tinha 38 anos e se apresentava como “mulher, negra, mãe e cria da favela da Maré”. Ela foi a quinta mais votada da cidade nas eleições de 2016, com 46.502 votos, em sua primeira disputa eleitoral.

Na Câmara, Marielle fazia parte do grupo de 4 relatores de uma comissão criada em fevereiro para monitorar os trabalhos da intervenção federal na segurança pública do estado.

Ela também presidia a Comissão de Defesa da Mulher. Sobre o tema, apresentou projeto para a criação do Dossiê da Mulher Carioca, para levar a prefeitura do Rio a compilar dados sobre violência de gênero no município, e trabalhou para permitir o aborto nas condições de quem a prática é permitida. Marielle também atuou para ampliar o número de Casas de Parto, locais destinados à realização de partos normais.

 

Como foi eleita vereadora

Provou também, a mobilização que acontece quando uma mulher como ela, decide se candidatar a uma carreira política enquanto a elite política quer manter mulheres como laranjas: é eleita com a quinta maior votação.

 

Qual era sua luta

E depois desse feito incrível, Marielle usou sua voz para defender com garra o que acreditava e proteger aqueles que ela politicamente representava. Lutou pelos direitos humanos e criticou ferrenhamente a intervenção federal no Rio de Janeiro, além de denunciar milícias policiais.

 

Quem ela ameaçava

Marielle ameaçou indiretamente essas milícias, como a “Escritório do Crime” que interessantemente possui vínculos com o governo e a família do atual presidente Jair Bolsonaro.

 

Dia do assassinato

Ela era grandiosa e mulheres negras grandiosas, incomodam. Em março, uma atrocidade manchou jornais, revistas, sites, redes sociais e programas televisionados. Marielle havia sido fria e cruelmente assassinada ao sair do evento que participava na Casa das Pretas, na Lapa, “Jovens Negras Movendo as Estruturas”.  Um carro com seus assassinos emparelhou com o veículo que a transportava. Os tiros acertaram a vereadora e seu motorista, Anderson. Sua assessora que estava no carro, saiu fisicamente ilesa, mas com uma lembrança marcante e inesquecível.

 

Um ano sem marielle e ainda temos muito a questionar o principal: QUEM MANDOU MATAR MARIELLE?

Logo no dia seguinte, o ex-deputado Jean Wyllys de prontidão passou a coordenar uma comissão dentro da Câmara dos Deputados, para acompanhar as investigações do crime. As respostas do crime só começaram a surgir neste ano, 2019, em 22 de janeiro, quando a investigação “Os Intocáveis” focada nas milícias do Rio de Janeiro, prendeu cinco indivíduos, suspeitos de estarem envolvidos na morte de Marielle.

Cerca de dois meses depois de prenderem cinco suspeitos e uma ano depois da noite fatídica, os dois responsáveis por executar o crime de Marielle foram encarcerados. Ronnie Lessa, policial reformado, disparou contra Marielle e Anderson, junto de Elcio Vieira de Queiroz, policial expulso, que dirigia o carro que emparelhou o que Anderson dirigia.

Durante esse ano que se passou correndo atrás de responsáveis, 230 testemunhas foram ouvidas mais de uma vez e  760 gigabytes de imagens das ruas foram analisadas. Comprovou-se que o crime fora minuciosamente traçado, contendo carro e celular clonado.

Durante esse mesmo período, esse mesmo ano, Marielle repercutiu mundialmente. Tornou-se conhecida por sua luta. Na Espanha, o partido “Podemos” solicitou da Comissão Europeia, condenações do assassinato. Foi solicitado também às autoridades de Bruxelas, suspensão de negociações comerciais com o Mercosul. O mundo exigiu explicações quanto o que aconteceu com Marielle.

Hoje, no Brasil e em todo mundo, saber quem executou o crime não é suficiente. Queremos saber quem mandou matar Marielle:

“Foi um avanço, mas ainda há muita coisa para fazer. A gente precisa saber quem foram os mandantes. Precisa prender quem mandou matar. Não é só por nós. É para responder às cobranças do mundo. Não é só a gente que precisa de uma resposta. Esse é um compromisso com o mundo todo, com o Brasil e com a sociedade, que perdeu muito com a morte da minha filha. Todos os grupos aos quais ela dava voz perderam muito.”   – Marinete Franco, mãe de Marielle.

Redação

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