Vamos falar de masculinidades? 5 vídeos para pensar sobre isso.

 

O assunto masculinidades está em “alta”. No caso, aparece uma variante do termo, associado a palavra “tóxico” logo em seguida. Diante do avanço das pautas feministas e até mesmo a popularização desse assunto, a cobrança para que homens debatam suas questões de gênero, avançando no combate à violência contra mulheres, crianças e até entre si, que geram mortes! Recentemente um caso ganhou as manchetes brasileiras quando um pai matou a si e ao próprio filho, de apenas 9 anos, para se vingar de sua ex- esposa em Londrina.  Esse é um bom exemplo do que tornou “masculinidade tóxica” um tema tão pesquisado e debatido na atualidade: Homens matam mulheres, matam crianças, matam outros homens e se matam para reforçar suas lógicas de controle e poder.

 

Não sabe o que é masculinidade tóxica, então:

 

 

 

Segundo o sociólogo e curador de conhecimento Tulio Custódio (o que está no vídeo), precisamos também nos aprofundar para ir além da crítica que fica no viés performático:

 

“O viés performático só trata das questões estéticas (de agir, mostrar, performar) que são importantes, mas não vão no cerne da desigualdade que embasa a questão de gênero: a lógica de poder. Essa lógica pode ser acessada pelo viés ético, no qual discutimos como imagens de poder são constituídas (superioridade, hierarquização do masculino sobre feminino). É pelo viés ético que podemos tentar transformar as relações de gênero que impõe padrões de violência e opressão, exercidos na dimensão performática.”

 

É urgente que a gente questione o que significa “ser homem” dentro desse modelo tóxico, quem criou esses modelos? E para onde eles estão nos levando? Estamos vivendo um verdadeiro colapso, somos o quinto país do mundo em Feminicídios, só em São Paulo no primeiro trimestre os casos aumentaram 76% se comparados ao ano passado. Para ampliar essa discussão selecionei mais documentários, vídeos, entrevistas que podem ampliar sua visão nesse sentido. O meu foco aqui é começar um bate-papo com quem quer conhecer sobre o assunto, mas ainda está perdido:

 

  • Para começar a entender a importância dessa discussão do que é abusivo e tóxico.

 

 

Num vídeo curto somos apresentados a modelos de masculinidade tóxicos, violentos e abusivos, e por meio de falas pessoais de personalidades e de especialistas vamos sendo introduzidos na importância das discussões acerca desse tema.  O bom desse vídeo é que mesmo curto, ele apresenta exemplos que geram identificação e podem nos auxiliar a refletir sobre nossas próprias ações. Além disso, é fato que o modelo de masculinidade tóxica ele não é novo, ele encontra novos rostos, só que ele não é novo. 

 

  • Para se aprofundar na quebra de masculinidade tóxica.

 

 

Nesse TED o educador Eldra Jackson III fala de sua vivência refletindo sobre machismo, e a partir disso a aplicação de ações para que outros homens reflitam sobre tais atitudes. O importante desse vídeo é que traça uma discussão e saídas para a masculinidade tóxica a partir do ponto de vista de um homem negro, o que torna todo o debate mais rico no que tange interseccionalidades. Eldra foi preso e começou a debater padrões de masculinidade de dentro de um presídio em um grupo de conversa que refletia sobre a violência nas atitudes de presos entre si.  Por isso ele reforça que é necessário ações coletivas em busca de uma saída e não deixa de ser um belo exemplo de como buscar essa saída.

 

  • Para quem quer a busca para como educar meninos de forma não machista

 

 

“The Mask You Live In” é um dos mais famosos documentários no debate sobre masculinidades, ele apresenta fatos, especialistas, depoimentos, realidades, e vai nos desenhando qual é o problema em viver numa sociedade que não reflete ainda sobre isso, estamos vivendo um ciclo de violências sem fim e tirando a chance de jovens, de meninos de pensar, ser e querer algo diferente de um padrão restrito do que é ser homem. Esse é um documentário para apresentar em espaços educacionais e mobilizar jovens a partir dele.

 

  • Para quem percebe que precisamos pensar questões de gênero e raça:

 

 

Para pensar todas essas questões, mas num ponto de vista que envolve questões raciais o Caio César foi entrevistado por Gabi Oliveira para trazer seu ponto de vista sobre essa discussão e a forma como se tratando de negros a representação masculina é ainda mais cheia de estereótipos violentos. É fato que no nosso contexto, se tratando de um país de maioria negra, é importante refletir isso não se trata de um recorte e sim do mínimo. Inserir raça, território, classe, para a discussão de masculinidade é urgente para que não se torne uma problemática de homens brancos sobre poder ou não chorar, quando muitos seguem morrendo e matando pelos padrões tóxicos que estão embutidos no que é ser homem. Então, vejam esse bate papo.

 

Depois de todos esses vídeos faça sua parte! A masculinidade não é por si só tóxica (por isso se fala do termo no plural); no entanto é a tóxica, com seu padrão hegemônico de poder, que ganha espaço na nossa sociedade misógina e por isso e dela que precisamos falar e destruir! Se você é homem, se aprofunde cada vez mais no assunto e tenta das formas possíveis rever seu comportamento e dos que estão próximos. Esse texto é principalmente para você, nós mulheres não podemos e não queremos ser mais uma vez colocadas no lugar de “cuidadoras”, precisamos que homens assumam essa reflexão sem precisar da nossa tutela, contudo, seguindo uma ética e coerência com a realidade de gênero que estamos todos inseridos. Debater masculinidade é urgente, pois nós mulheres continuamos vítimas fatais.

Stephanie Ribeiro

Stephanie Ribeiro é arquiteta e urbanista pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp) e atua também como escritora e colunista de revistas e sites, com textos publicados no Brasil e internacionalmente. Escreve e palestra sobre feminismo, questões raciais, arte, estética, moda, urbanismo e desigualdades.