Nice salvou 15 mil meninas da mutilação genital no Quênia

Nice Nailantei Leng’ete tem 27 anos e foi considerada pela revista Time uma das pessoas mais influentes do mundo. Tudo isso porque seu plano é ajudar meninas para que não sofram o female cutting, que nada mais é do que a mutilação genital feminina.

Nice diz que isso é algo muito importante para ela, já que ela escapou dessa prática quando tinha apenas 8 anos. Ela disse que fugiu e se escondeu com sua irmã embaixo de uma árvore, até o final da cerimônia de mutilação genital.

Hoje, Nice é uma mulher que já ajudou mais de 15.000 meninas a sair dessa situação e evitar a mutilação genital. Além disso, ela está realizando um trabalho incrível na África, que tem como objetivo acabar com a mutilação feminina e o casamento infantil na região até 2030, mostrando que é possível fazer ritos de passagem alternativos para a comunidade Massai, que é um lugar dominado por homens. Assim, ela procura uma forma de a comunidade parar com os antigos costumes que ferem meninas e mulheres.

 

Nice Nailantei Leng’ete ainda explicou como funciona hoje essa questão cultural para as comunidades e como pretende combatê-la. “A MGF (mutilação genital feminina), para o Maasai, é um rito de passagem da infância para a feminilidade. As mulheres não são consideradas mulheres a menos que tenham passado pela MGF. Na minha comunidade, a mutilação tem relação com as meninas que terminam sua educação, com o casamento infantil e com a gravidez na adolescência. Uma menina tem 10 ou 12 anos quando se submete a MGF. Então, na teoria, ela é uma mulher, e isso significa que ela está pronta para o casamento e para ter filhos.”

 

 

Nice, quando criança, testemunhou vários rituais de mutilação e sabia que não era o que queria, porque via que não podia ser algo bem, se gerava dor e sofrimento.

“Eu vi dor. Eu vi a morte. Desde que eu tinha 7 anos de idade, eu costumava assistir a essas cerimônias na minha comunidade com meninas submetidas a MGF. Eu vi minhas amigas saírem da escola e se casarem. E eu queria continuar minha educação”, disse, Nice.

Depois de fugir do seu ritual de mutilação, ela seguiu em frente e continuou seus estudos, se tornando a primeira menina de sua aldeia a chegar ao ensino médio. Foi assim, usando seu uniforme escolar, que ela se tornou inspiração para outras meninas da comunidade, que passaram a procurá-la pedindo ajuda pra evitar que passassem pela mutilação.

No começo, ela mantinha as meninas que pediam ajuda escondidas e isso a tornou bem conhecida na região. Foi aí que ela decidiu mudar a maneira de abordar as pessoas da comunidade e passou a compartilhar informações relacionadas à saúde sexual e bem-estar na região, na aldeia onde vivia.

O trabalho não foi fácil, afinal, é complicado mostrar a uma comunidade, que seus preceitos não fazem o bem, ao contrário, só geram sofrimento. Mas, depois de quatro anos, as pessoas mais velhas da comunidade Maasai estavam convencidos de que poderiam prosperar muito mais se as mulheres tivessem acesso à educação, se casassem mais tarde e se tivessem a opção de dizer não à mutilação genital feminina.

E então, o que parecia impossível, aconteceu! A comunidade renunciou oficialmente à prática da mutilação genital feminina em 2014. nice, diz ainda que seu trabalho não para por aqui: “Ser capaz de proteger essas meninas mais jovens dessas práticas prejudiciais é o que eu quero fazer; é um trabalho importante. Quando vejo as meninas na escola, essa é a minha felicidade”, contou.

 

 

Que trabalho incrível! É inspirador ver que conseguimos alcançar grandes planos se começarmos com pequenas atitudes que, pouco a pouco se tornam grandiosas e surtem um efeito enorme para toda uma sociedade. É assim que hoje, a comunidade Maasai deixou de praticar a violenta mutilação genital. Um trabalho que começou tímido, com uma menina de 8 anos e se tornou motivo de conquista para todas as meninas e mulheres apenas uma geração após a sua.

Recentemente, a Nigéria também anunciou a proibição da mutilação genital e assim, pouco a pouco, vamos caminhando para um futuro cheio de esperança para cada vez mais meninas e mulheres ao redor do mundo. <3

 

 

Kelly Sá

Amante da arte, das palavras. Adora crianças, cachorros e gatos. Formada em Letras, adora trabalhar com conteúdo, fazendo das palavras o seu brinquedo preferido.